Teve início, no último domingo (5), no centro de Brasília, o Acampamento Terra Livre (ATL 2026), mobilização indígena que reúne etnias de todo o país em defesa dos direitos das comunidades originárias.
De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), neste ano, são esperados entre sete mil e oito mil participantes, entre indígenas e não indígenas. A vigésima segunda edição do evento reivindica a demarcação e a proteção das terras e territórios indígenas, com o tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”.
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A reunião, que conta com representantes de grande parte dos 391 povos indígenas existentes no Brasil, ocorre até o próximo sábado (11) e defende a suspensão da legislação que afrouxou as regras do licenciamento ambiental no país.
A Lei Geral do Licenciamento Ambiental (LGLA), conhecida como “PL da Devastação”, chegou a ser vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas teve 57 trechos restabelecidos pelo Congresso Nacional. A legislação preocupa especialistas por flexibilizar a exigência de licença em determinados casos, como obras que necessitem ser executadas por calamidade pública ou soberania nacional.
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“Os crimes cometidos contra nossos territórios estão na base das crises que atingem o planeta e a humanidade, que agravam a crise climática. Esses crimes ainda ampliam a desigualdade social, naturalizando a violência e comprometendo o futuro de toda a humanidade. Por isso afirmamos que não aceitaremos a destruição apresentada como desenvolvimento sustentável ou economia verde”, diz trecho da carta de abertura do ATL 2026.
As lideranças ainda destacam a morosidade dos processos de demarcação das terras indígenas, compromisso assumido em campanha pelo governo Lula. A falta de avanço, apontam, contribui diretamente para o aumento das invasões, da violência e da tentativa de exploração dos bens naturais.
Além da Apib, o acampamento é realizado por outras oito entidades. Entre elas estão a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME) e a Articulação dos Povos Indígenas da Região Sudeste (ARPINSUDESTE).
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Também participam como organizadores a Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (ARPINSUL), a Comissão Guarani Yvyrupa (CGY), o Conselho do Povo Terena, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e a Grande Assembleia do Povo Guarani e Kaiowá (ATY GUASU).
“Seguimos com a força dos nossos ancestrais. Abrimos o ATL 2026 com a nitidez de quem conhece o tamanho da ameaça e a força da própria resposta. Convocamos a sociedade brasileira e a comunidade internacional a se somarem à nossa luta. Fazemos desta carta um chamado à solidariedade com nossos povos”.