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Espetáculo conta história de mulheres refugiadas no Brasil

Montagem com elenco formado por imigrantes e refugiadas faz temporada gratuita no Centro Cultural Bibli-ASPA
Atriz durante o espetáculo "Daqui pra frente", que conta a história de mulheres refugiadas no Brasil.

Atriz durante o espetáculo "Daqui pra frente", que conta a história de mulheres refugiadas no Brasil.

— Divulgação

18 de abril de 2026

Inspirado em histórias reais de mulheres refugiadas que reconstruíram a vida no Brasil, o espetáculo “Daqui pra frente” segue em cartaz no Centro Cultural Bibli-ASPA, em São Paulo, até 3 de maio, com sessões gratuitas aos sábados, às 20h, e domingos, às 18h.

Com texto e direção de Danielli Guerreiro, a peça reúne sete mulheres de cinco países, Nigéria, Afeganistão, Irã, Venezuela e Congo. Em esquetes inspiradas em situações vividas após a chegada ao Brasil, o espetáculo aborda diferenças culturais, saudade do país de origem e os desafios com o idioma.

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O elenco é formado por Adanne Udoka, Muzghan Yawari, Fahima Panahi, Atefa Mohammadi, Zaynab Ataollahi, Laura Velasquez e Arlete N’Daya.

A montagem é a segunda produção teatral da Bibli-ASPA, organização sem fins lucrativos que há mais de 20 anos atua na integração de imigrantes e refugiados no Brasil.

O espetáculo nasce do curso regular de teatro da instituição, que reúne mulheres atendidas pela entidade e transforma suas próprias vivências de migração em material cênico. Em 2025, a instituição também abordou o tema da migração forçada no espetáculo “Refúgio”.

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Dividida em capítulos, a montagem aborda temas recorrentes no processo de criação, como idioma, identidade e adaptação cultural. A dramaturgia combina relatos reais com situações do cotidiano brasileiro, como conversas em bares, passagens pela imigração em aeroportos e aulas de português.

Embora trate de experiências marcadas por deslocamento e recomeço, o espetáculo aposta no humor como ferramenta narrativa. “Ele nos ajuda a atravessar desafios de forma mais leve. Muitas histórias que foram desesperadoras no momento acabam se tornando engraçadas com o tempo”, explica a diretora.

A peça também traz cenas mais emocionais sobre a vida antes da migração, sonhos interrompidos e o processo de reconstrução de identidade no Brasil. Durante os ensaios, o idioma foi um dos principais desafios.

“Muitas vezes precisei parar os ensaios para explicar as ‘pegadinhas’ do nosso idioma, palavras que se escrevem igual e têm pronúncias diferentes ou que soam iguais com significados distintos”, conta Guerreiro.

A encenação aposta em cenário simples, com projeções de vídeo e figurinos sobre roupas pretas básicas. A trilha sonora, dirigida por Flávio Hernandes, inclui a canção “Flutua”, interpretada ao vivo pelo elenco.

Duas atrizes, Adanne Udoka, da Nigéria, e Laura Velasquez, da Venezuela, eram cantoras em seus países de origem.

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Para a diretora, o trabalho no palco tem papel importante no fortalecimento da autoestima das participantes. “O teatro coloca essas mulheres na vitrine. Elas são vistas e ouvidas. Estar em cartaz contando histórias reais, interpretadas por elas mesmas e em português, depois de tanto estudo e dedicação, valida essa jornada.”

A proposta também é aproximar o público da realidade de refugiados e imigrantes. “A ideia é mostrar essas histórias de uma forma diferente dos telejornais. Quando o público as conhece de perto, fica difícil continuar acreditando em preconceitos sobre refugiados.”

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  • Felipe Ruffino

    Felipe Ruffino é jornalista, pós-graduado em Assessoria de Imprensa e Gestão da Comunicação, possui a agência Ruffino Assessoria e ativista racial, onde aborda pautas relacionada à comunidade negra em suas redes sociais @ruffinoficial.

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