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Garimpo ilegal na Amazônia é denunciado à comissão internacional

Documento aponta contaminação por mercúrio, falhas na fiscalização e avanço de economia ligada ao crime organizado
Acampamento de garimpo ilegal em território Yanomami na Amazônia, em Roraima, no dia 24 de fevereiro de 2023.

Acampamento de garimpo ilegal em território Yanomami na Amazônia, em Roraima, no dia 24 de fevereiro de 2023.

— Alan Chaves/AFP

23 de abril de 2026

O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), na quarta-feira (22), um diagnóstico sobre os impactos do garimpo ilegal na Amazônia, apontando um cenário de violações estruturais de direitos. 

O órgão ressalta que a prática se consolidou como um sistema econômico paralelo articulado ao crime organizado. Segundo o documento, a contaminação por mercúrio é uma das principais emergências ambientais e de saúde pública no país. 

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Pesquisas destacadas no relatório indicam níveis elevados da substância em peixes consumidos na região amazônica, afetando populações ribeirinhas e indígenas. A exposição ao mercúrio amplia riscos de danos neurológicos, especialmente em crianças. 

A falta de monitoramento do garimpo é apontada como uma das falhas estruturais, que, na ausência de um sistema nacional, dificulta a mensuração do problema e compromete a formulação de políticas públicas. 

Outro ponto destacado é a permanência de normas federais que ainda admitem o uso de mercúrio no garimpo, como os decretos nº 97.507/1989 e nº 97.634/1989, que regulamentam o uso do elemento químico. 

Para o órgão, as medidas são incompatíveis com a Constituição Federal e com a Convenção de Minamata sobre Mercúrio. 

No campo social, o diagnóstico evidencia reflexos diretos na violação dos direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais. Como exemplo, o MPF destaca a crise humanitária da Terra Indígena Yanomami, com registros de contaminação, insegurança alimentar e doenças. 

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O Ministério Público alerta para iniciativas legislativas em debate no Congresso que podem enfraquecer a fiscalização ambiental, como propostas que limitam a destruição de equipamentos utilizados em crimes ambientais. 

Para o MPF, o enfrentamento da mineração ilegal demanda atuação coordenada e contínua do Estado, com fortalecimento institucional e cooperação internacional, além de monitoramento permanente da situação na Amazônia.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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