Mais do que uma data simbólica, o 1º de maio reafirma direitos conquistados pela classe trabalhadora e dá visibilidade às desigualdades que ainda persistem.
O debate recente sobre o fim da escala 6×1 e a proposta de redução da jornada para 40 horas semanais representam avanços importantes. A ampliação do descanso e a reorganização do tempo de trabalho apontam para melhorias concretas na qualidade de vida e combate à exploração, temas que devem ganhar força nas manifestações do Dia do Trabalhador.
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No entanto, a experiência histórica das trabalhadoras domésticas impõe cautela. Ao longo do tempo, conquistas vieram acompanhadas de exceções que excluíram a categoria. A recorrência de dispositivos que restringem a aplicação de direitos ao trabalho doméstico evidencia a necessidade de vigilância constante.
Segundo pesquisa realizada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a International Domestic Workers Federation (IDWF), as trabalhadoras domésticas compõem uma das categorias mais precarizadas do mercado de trabalho brasileiro, com baixos níveis de proteção social, salários reduzidos e jornadas extensas.
Na prática, essas trabalhadoras frequentemente enfrentam jornadas exaustivas que superam a escala 6×1, chegando, em muitos casos, a situações análogas à escravidão. Falta de folgas, excesso de trabalho, ausência de retorno à própria casa, necessidade de dormir no local de trabalho em condições precárias, além de privação de comida, sono e descanso remunerado, ainda são realidades naturalizadas.
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A dupla jornada, que combina trabalho remunerado com o cuidado de suas próprias famílias, agrava esse cenário. Ainda de acordo com a pesquisa, 83% das trabalhadoras reconhecem os impactos negativos dessa sobrecarga em seu bem-estar físico, emocional, econômico e social, especialmente entre aquelas com jornadas mais longas.
O trabalho doméstico ocupa um lugar central nessas desigualdades. No fim de 2025, o Brasil registrou cerca de 5,57 milhões de trabalhadores domésticos, segundo a PNAD Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desses, aproximadamente 4,2 milhões atuavam sem carteira assinada, o que representa mais de 75% de informalidade, indicativo de que o problema é estrutural e disseminado em todo o país.
Trata-se de uma força de trabalho composta quase exclusivamente por mulheres, em sua maioria negras, expostas a múltiplas formas de discriminação. Dados da OIT indicam que 90% da categoria é feminina e que 66% são mulheres negras, evidenciando a permanência de estruturas históricas que associam cuidado, serviço e subalternidade a determinados corpos.
Realidade essa que ainda está profundamente ligada à formação social brasileira e às heranças da escravidão, que ainda moldam relações laborais e definem quem tem acesso pleno a direitos e quem permanece à margem.

A Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (FENATRAD) apoia a ampliação de direitos, incluindo o fim da escala 6×1, mas alerta para o risco de a categoria ser novamente excluída de mudanças que deveriam beneficiar toda a classe trabalhadora. Garantir sua inclusão plena é essencial para avançar na construção de maior equidade.
Neste 1º de maio, as integrantes da FENATRAD optaram por fortalecer a mobilização em seus estados, por meio da atuação sindical. A estratégia descentralizada busca ampliar o alcance das ações e reforçar o vínculo com a base, elemento central para qualquer transformação social.
Reconhecer o trabalho doméstico como trabalho pleno, com direitos e dignidade, é condição básica para uma sociedade mais justa. Isso exige não apenas garantias formais, mas também uma mudança na forma como esse trabalho é visto. Superar a ideia de que se trata de ajuda ou extensão de papéis familiares é parte fundamental desse processo.
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Tornar visível o que historicamente foi invisibilizado é um passo essencial para promover mudanças estruturais.
Todas às ruas no dia 1º de maio! Pelo fim da escala 6×1 e ampliação de direitos!