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Verônica Oliveira transforma experiência no trabalho doméstico em voz por dignidade e direitos

Comunicadora e ex-trabalhadora doméstica utiliza sua trajetória para ampliar o debate sobre valorização, direitos e condições de trabalho no Brasil
A comunicadora Verônica Oliveira.

A comunicadora Verônica Oliveira.

— Divulgação

27 de abril de 2026

No Brasil, o trabalho doméstico segue sendo uma das ocupações mais marcadas por desigualdades de gênero, raça e renda. No Dia Nacional das Empregadas Domésticas, celebrado no dia 27 de abril, a Alma Preta apresenta a trajetória da escritora e ex-trabalhadora doméstica Verônica Oliveira, que transformou sua ocupação em uma ferramenta de comunicação e mobilização social. 

Em entrevista à Alma Preta, Oliveira, que também é palestrante e criadora de conteúdo, afirma que dar visibilidade ao trabalho doméstico é uma forma de enfrentar sua desvalorização histórica e reafirmar a dignidade de quem atua na área.

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Nas redes sociais, a comunicadora abre espaço para os debates sobre a economia do cuidado, abordando o trabalho não remunerado que sustenta a vida cotidiana das mulheres. 

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Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), no quarto semestre de 2024, o país tinha cerca de 5,9 milhões de pessoas ocupadas no trabalho doméstico, das quais 91% são mulheres e 69% são negras. 

Suas publicações, conta Oliveira, buscaram transformar o cotidiano de trabalho em narrativas que fortalecem o senso de pertencimento entre as trabalhadoras e ampliam a discussão sobre a valorização da profissao.

“Desde o primeiro momento, minha intenção foi comunicar uma forma diferente de enxergar o trabalho doméstico. Então, entendi que precisava comunicar que esse é um trabalho como qualquer outro. Eu precisava comunicar que é muito importante que a gente tenha orgulho do próprio trabalho, independentemente de qual seja”, destaca.

A comunicadora relata que o caminho no trabalho doméstico foi inesperado e se tornou primordial para que seus conteúdos ganhassem mais alcance. A rápida transformação ocorreu logo após os primeiros anúncios oferecendo seus serviços. 

“Foi tudo muito rápido. Em menos de cinco dias eu já estava dando entrevista na televisão, então nem tive tempo de processar o que estava acontecendo”. 

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A palestrante chama a atenção para as jornadas de trabalho, que, segundo ela, são ainda mais intensas na área. Anteriormente, Oliveira já trabalhou na escala 6×1 quando atuou em uma empresa de telemarketing. O desgaste com o modelo trabalhista foi uma das principais motivações para a mudança.

“Quando você trabalha seis dias por semana, não sobra espaço para viver, estudar ou pensar em mudar de vida. E, no caso das domésticas, o único dia livre ainda vira dia de limpar a própria casa, então não existe descanso de verdade”.

A escritora ressalta que a falta de regulamentação clara contribui para situações de jornadas que ultrapassam os limites estabelecidos pela legislação, além da sobrecarga estrutural enfrentada pelas profissionais do trabalho doméstico. 

“Às vezes você não sabe se impor no começo. Eu já fiquei dez horas dentro da casa de uma pessoa trabalhando, porque não sabia dizer que a diária tinha acabado”, afirma.

Ao refletir sobre as condições atuais, Verônica aponta que, mesmo com a  criação da Emenda Constitucional nº 72/2013, conhecida como PEC das Domésticas, as mudanças sociais em relação à classe são lentas e desiguais. A lei concedeu aos trabalhadores domésticos direitos já garantidos aos demais. 

Para ela, reconhecer o valor do trabalho doméstico está ligado à garantia de condições reais de escolha, descanso e dignidade.

“Quando a gente fala em mudar essa realidade, não é só sobre salário. É sobre ter tempo, ter saúde, conseguir pensar em outros caminhos. Enquanto isso não chega para todo mundo, a gente ainda está falando de uma mudança muito pequena”, completa. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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