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Pesquisa revela que 65% das donas de brechós se autodeclaram negras

Levantamento aponta que 61% das mulheres empreendedoras ainda operam na informalidade e têm dificuldade para gerar renda estável
Pesquisa da Aliança Empreendedora revela que maioria das donas de brechós se autodeclaram negras.

Pesquisa da Aliança Empreendedora revela que maioria das donas de brechós se autodeclaram negras.

— Reprodução/Freepik

3 de maio de 2026

O rosto da moda sustentável no Brasil é feminino, negro e movido por propósito ambiental, mas ainda enfrenta desafios estruturais de renda e formalização. Isso é o que revela a pesquisa nacional “Retrato dos Brechós e Bazares no Brasil 2025”, lançada pela Aliança Empreendedora no final de abril de 2026.

Desenvolvido com o objetivo de entender esse setor do mercado e conhecer as reais necessidades dos empreendedores do segmento, o estudo encontrou informações essenciais sobre o perfil, motivação e faturamento, entre outros dados desses micronegócios.

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O levantamento inédito é uma realização do programa Moda Justa e Sustentável, da Aliança Empreendedora em parceria com a Renata Abranches Branding, e servirá como base para a criação de metodologias de ensino em empreendedorismo focadas na base da pirâmide empreendedora do país.

Os dados apurados revelam esse ecossistema vital para a economia circular, em que 98% das empreendedoras são mulheres e 65% se autodeclaram negras. Diferente do que o senso comum pode indicar — que o empreendedorismo de base sempre se dá por necessidade financeira —, o levantamento aponta que a sustentabilidade ambiental é a principal motivação para 72% das entrevistadas.

No entanto, o propósito esbarra na realidade econômica: 53% das donas de brechós faturam até um salário-mínimo mensal e metade (50%) admite que o negócio ainda não garante o sustento exclusivo da família.

“Esses dados confirmam uma hipótese com a qual já trabalhávamos: os brechós são ferramentas poderosas de inclusão produtiva. Entretanto, essas mulheres ainda empreendem de forma muito solitária e com pouco acesso a crédito e gestão especializada”, afirma Cristina Chiarastello, líder de projetos do programa Moda Justa e Sustentável, da Aliança Empreendedora.

“Nosso objetivo é apoiar essas empreendedoras no desenvolvimento de negócios sustentáveis e que acessem o mercado de forma digna , garantindo que a moda circular gere, além de impacto ambiental, autonomia financeira real para essas famílias”, completa.

Leia mais: Empreendedoras negras faturam até 59% menos que homens brancos

O fortalecimento do ecossistema da moda, no Brasil, passa por reconhecer e impulsionar quem já constrói soluções cotidianamente, afirma Marina de Luca, coordenadora de Mobilização do Instituto Fashion Revolution.

Ela enfatiza que “as empreendedoras de brechós e bazares são peças fundamentais nessa transformação, pois promovem novos modelos de consumo, geram renda e ampliam o acesso a uma moda mais consciente. Portanto, mapear e dar visibilidade a essas iniciativas é um passo essencial para conectar esforços, atrair investimentos e avançar rumo a um setor mais responsável”.

Informalidade, digitalização e a ‘Solidão do Negócio’

A análise acende um alerta sobre a desproteção social no setor. Embora o mercado de segunda mão esteja em franca expansão global, na realidade brasileira a informalidade predomina: 61% dos negócios não possuem CNPJ. Entre as que se formalizaram, 89% optaram pelo modelo de Microempreendedor Individual (MEI).

Para 71% das empreendedoras entrevistadas, o WhatsApp e o Instagram são os principais canais de venda e o Pix já se consolidou como uma das ferramentas mais usadas para pagamento e controle do fluxo de caixa, o que demonstra que existe algum nível de amadurecimento tecnológico no setor.

Contudo, a estrutura de operação também reflete a sobrecarga das empreendedoras, muitas das quais conciliam o trabalho com a maternidade (64% são mães). De acordo com os dados, 73% das entrevistadas trabalham sozinhas, acumulando funções de curadoria, vendas, logística e marketing digital. A jornada é intensa: 47% mantêm o negócio ativo de seis a sete dias por semana. O uso da tecnologia tem se mostrado um importante aliado para o segmento. 

Leia mais: Mulheres negras são 71% das nanoempreendedoras no Brasil, diz pesquisa

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