O rosto da moda sustentável no Brasil é feminino, negro e movido por propósito ambiental, mas ainda enfrenta desafios estruturais de renda e formalização. Isso é o que revela a pesquisa nacional “Retrato dos Brechós e Bazares no Brasil 2025”, lançada pela Aliança Empreendedora no final de abril de 2026.
Desenvolvido com o objetivo de entender esse setor do mercado e conhecer as reais necessidades dos empreendedores do segmento, o estudo encontrou informações essenciais sobre o perfil, motivação e faturamento, entre outros dados desses micronegócios.
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O levantamento inédito é uma realização do programa Moda Justa e Sustentável, da Aliança Empreendedora em parceria com a Renata Abranches Branding, e servirá como base para a criação de metodologias de ensino em empreendedorismo focadas na base da pirâmide empreendedora do país.
Os dados apurados revelam esse ecossistema vital para a economia circular, em que 98% das empreendedoras são mulheres e 65% se autodeclaram negras. Diferente do que o senso comum pode indicar — que o empreendedorismo de base sempre se dá por necessidade financeira —, o levantamento aponta que a sustentabilidade ambiental é a principal motivação para 72% das entrevistadas.
No entanto, o propósito esbarra na realidade econômica: 53% das donas de brechós faturam até um salário-mínimo mensal e metade (50%) admite que o negócio ainda não garante o sustento exclusivo da família.
“Esses dados confirmam uma hipótese com a qual já trabalhávamos: os brechós são ferramentas poderosas de inclusão produtiva. Entretanto, essas mulheres ainda empreendem de forma muito solitária e com pouco acesso a crédito e gestão especializada”, afirma Cristina Chiarastello, líder de projetos do programa Moda Justa e Sustentável, da Aliança Empreendedora.
“Nosso objetivo é apoiar essas empreendedoras no desenvolvimento de negócios sustentáveis e que acessem o mercado de forma digna , garantindo que a moda circular gere, além de impacto ambiental, autonomia financeira real para essas famílias”, completa.
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O fortalecimento do ecossistema da moda, no Brasil, passa por reconhecer e impulsionar quem já constrói soluções cotidianamente, afirma Marina de Luca, coordenadora de Mobilização do Instituto Fashion Revolution.
Ela enfatiza que “as empreendedoras de brechós e bazares são peças fundamentais nessa transformação, pois promovem novos modelos de consumo, geram renda e ampliam o acesso a uma moda mais consciente. Portanto, mapear e dar visibilidade a essas iniciativas é um passo essencial para conectar esforços, atrair investimentos e avançar rumo a um setor mais responsável”.
Informalidade, digitalização e a ‘Solidão do Negócio’
A análise acende um alerta sobre a desproteção social no setor. Embora o mercado de segunda mão esteja em franca expansão global, na realidade brasileira a informalidade predomina: 61% dos negócios não possuem CNPJ. Entre as que se formalizaram, 89% optaram pelo modelo de Microempreendedor Individual (MEI).
Para 71% das empreendedoras entrevistadas, o WhatsApp e o Instagram são os principais canais de venda e o Pix já se consolidou como uma das ferramentas mais usadas para pagamento e controle do fluxo de caixa, o que demonstra que existe algum nível de amadurecimento tecnológico no setor.
Contudo, a estrutura de operação também reflete a sobrecarga das empreendedoras, muitas das quais conciliam o trabalho com a maternidade (64% são mães). De acordo com os dados, 73% das entrevistadas trabalham sozinhas, acumulando funções de curadoria, vendas, logística e marketing digital. A jornada é intensa: 47% mantêm o negócio ativo de seis a sete dias por semana. O uso da tecnologia tem se mostrado um importante aliado para o segmento.
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