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Mais da metade dos donos de pequenos negócios no Brasil são negros

Pesquisa revela avanço na escolaridade e renda de empreendedores pretos e pardos, mas rendimento ainda corresponde a 56% do recebido por brancos
Um empreendedor negro fazendo cálculos.

Um empreendedor negro fazendo cálculos.

— Reprodução/Agência Sebrae

4 de maio de 2026

Os empreendedores negros (pretos e pardos) somam 15,8 milhões no Brasil e comandam 52,3% dos pequenos negócios. O contingente representa um aumento de mais de 30% nos últimos 13 anos. 

Os dados constam da pesquisa “Empreendedorismo Negro no Brasil Sob a Ótica da PNAD Contínua”, realizada pelo Sebrae com base em números do primeiro trimestre de 2012 até o quarto trimestre de 2025.

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O crescimento da participação negra no empreendedorismo supera o registro entre brancos. O número de pequenos negócios liderados por brancos chegou a 14 milhões, 46,4% do total, com alta de 21,7% no mesmo período.

“Apesar dos avanços notados ao longo do nosso levantamento, o ambiente dos pequenos negócios no Brasil ainda reflete desigualdades estruturais na inserção econômica”, afirma o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares em nota do Sebrae.

“Acreditamos que o empreendedorismo é uma ferramenta de inclusão social e produtiva no nosso país. Investir em ações que criem oportunidades de renda para o público negro é construir um futuro mais inclusivo”, acrescenta.

Leia mais: Empreendedorismo negro cresceu 22% em 10 anos, aponta Sebrae

Perfil do empreendedor negro

O levantamento traça o perfil do empreendedor negro na atualidade. O gênero predominante é o masculino: dois em cada três empreendedores negros são homens.

A maior concentração etária está na faixa de 30 a 49 anos. O grupo acima de 60 anos registrou o maior avanço no período analisado: passou de 10,9% do público, em 2012, para 13%, em 2025.

Os empreendedores negros avançaram também nos níveis de escolaridade. A participação daqueles com ensino médio completo saltou de 21,2% para 36,7%. O percentual com ensino superior incompleto ou mais cresceu de 5,9% para 17,2%. O ensino médio se tornou o nível educacional predominante, superando o fundamental incompleto.

O rendimento médio habitual dos empreendedores negros subiu 23% em dez anos, passando de R$ 2.115, em 2015, para R$ 2.601, em 2025. Entre os brancos, o índice avançou 27,9%.

Apesar do crescimento, os empreendedores negros ainda recebem 56% da renda dos brancos. A proporção de empregadores aumentou entre os negros, enquanto entre os brancos houve redução nessa categoria.

Entre os empreendedores negros, 55,9% são chefes de domicílio, contra 52,7% entre os brancos. A região Sudeste concentra 38,5% dos negros donos de negócios, seguida pelo Nordeste, com 33,5%. 

O Norte apresenta a maior taxa de empreendedorismo entre negros (18,1%), enquanto no Sudeste esse índice é de 16,6% e no Nordeste, 15,4%. O setor de Serviços absorve 42,4% dos empreendedores negros. A contribuição previdenciária entre esse público cresceu de 18,1%, em 2012, para 30,5%, em 2025.


Leia mais: Empreendedoras negras ganham menos que empresários brancos mesmo com maior escolaridade, aponta Sebrae

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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