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Empreendedoras negras ganham menos que empresários brancos mesmo com maior escolaridade, aponta Sebrae

Pesquisa revela que 42,6% das mulheres negras donas de negócios têm ensino médio completo, contra 33,7% dos homens brancos, mas recebem menos de 40% do rendimento deles
Foto de uma mulher negra usando o notebook.

Foto de uma mulher negra usando o notebook.

— Reprodução/Agência Sebrae

3 de julho de 2025

Um estudo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostra que mulheres negras empreendedoras recebem menos do que homens brancos donos de negócios, mesmo com maior escolaridade. Segundo o levantamento, 65,4% das empreendedoras negras possuem ensino médio completo ou mais (que têm ensino superior), percentual superior ao dos homens brancos empreendedores, que é de 65,2%.

Quando se observa apenas quem tem ensino médio completo, a desigualdade se aprofunda: 42,6% das mulheres negras donas de negócios têm essa formação, contra 33,7% dos homens brancos. Ainda assim, a renda média das empreendedoras negras corresponde a menos de 40% do rendimento dos empresários brancos.

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O rendimento das mulheres negras também é inferior ao das mulheres brancas e dos homens negros. Elas recebem, em média, 73,1% do rendimento dos homens negros empreendedores e apenas 52,5% da renda das mulheres brancas com negócios próprios.

Empreendedores negros avançam, mas seguem em desvantagem

A pesquisa “O novo retrato do negro empreendedor brasileiro – Sob a Ótica da PNAD Contínua”, que analisa dados de 2012 a 2024, aponta que os empreendedores negros somam hoje 16 milhões em todo o país, o que representa um crescimento de 31% no período. Apesar disso, a taxa de empreendedorismo entre pessoas negras ainda é inferior à dos brancos: 52,7% dos donos de negócios são negros, mesmo representando 56,6% da população brasileira.

A renda média real dos negros donos de negócios alcançou R$ 2.477 no quarto trimestre de 2024, o maior valor da série histórica. Ainda assim, a diferença de rendimento entre negros e brancos persiste: os negros ganham, em média, 46,2% menos que os brancos. Houve, no entanto, uma redução da desigualdade em comparação com 2012, quando os afroempreendedores ganhavam 52,7% a menos.

O presidente do Sebrae, Décio Lima, avaliou que o apoio ao empreendedorismo negro é uma forma de promover inclusão e desenvolvimento. “Estamos criando oportunidades e construindo um futuro mais inclusivo. A criação desses negócios gera muitos impactos positivos, disponibilizando emprego e renda”, afirmou em nota.

Perfil dos empreendedores negros

A escolaridade dos empreendedores negros vem crescendo de forma contínua. No quarto trimestre de 2024, mais da metade (52,3%) desse grupo tinha ensino médio completo ou mais. Entre os homens negros, esse índice era de 46,1%.

A formalização dos negócios também avançou. A taxa de empreendedores negros com CNPJ chegou a 24,7% no final de 2024. O ritmo de crescimento da formalização foi mais acelerado entre os negros do que entre os brancos. Além disso, houve um aumento de 0,7 ponto percentual na proporção de empregadores entre os negros, enquanto entre os brancos foi registrada uma queda de 2,3 pontos.

Mais de 70% dos empreendedores negros atuam nas regiões Sudeste e Nordeste do país. A maioria se concentra nos setores de Serviços (41,7%) e Comércio (21,3%). Embora os homens ainda sejam maioria entre os donos de negócios negros (67,8%), a presença feminina vem crescendo e alcançou 32,6% em 2024.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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