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Coleção inédita de livros de bolso traz histórias de cardeais do samba paulista

Publicação traz episódios da vida de pilares do samba, como Madrinha Eunice, Nenê de Vila Matilde, Carlão do Peruche, Inocêncio Tobias e Pé Rachado
Escultura de Deolinda Madre, conhecida como Madrinha Eunice, no bairro da Liberdade, em São Paulo.

Escultura de Deolinda Madre, conhecida como Madrinha Eunice, no bairro da Liberdade, em São Paulo.

— Rovena Rosa/Agência Brasil

17 de maio de 2026

No dia 18 de maio será lançada coleção “Cardeais do Samba Paulista”, publicada pela Editora Dandara que, em cinco volumes, narra histórias da vida de Inocêncio Tobias, Pé Rachado, Madrinha Eunice, Nenê de Vila Matilde e Carlão do Peruche, figuras consideradas pilares do samba paulistano. O conteúdo também estará disponível no site da Iniciativa Negra.

No formato de livros de bolso, a coletânea situa as trajetórias desses artistas no contexto histórico da formação das escolas de samba, fato histórico que conferiu a eles o título de “cardeais”, homenagem simbólica por seu papel central na organização, preservação e transmissão de tradições culturais dentro das comunidades do samba.

As escolas de samba em São Paulo são herdeiras dos primeiros cordões carnavalescos que emergiram no início do século XX, nos chamados “territórios negros” da cidade, zonas de rica cultura africana delineadas por experiências compartilhadas e laços comunitários profundos. Eram alguns bairros centrais com características de baixada, como Barra Funda, Bixiga e Glicério, na Liberdade, e posteriormente regiões das zonas norte e leste, como Parque Peruche, Penha e Vila Matilde.

Esses territórios se transformaram com a mediação das agremiações carnavalescas em núcleos de prática e vivência, onde afrodescendentes reafirmaram suas identidades culturais em um espaço urbano intrinsecamente desigual.

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No final da década de 1960, houve um movimento de articulação dos futuros “cardeais”, o que deu às lideranças das escolas de samba condições de participar do processo de oficialização do festejo na cidade, mediando as relações entre as escolas de samba e o poder público.

Lideranças negras, como Seu Carlão, Pé Rachado, Seu Nenê de Vila Matilde, Inocêncio Tobias e Madrinha Eunice, receberam o título ao representar suas escolas mas além disso, por levantarem bandeiras que, historicamente, o movimento negro iria defender, de maneira mais veemente, apenas no final da década de 1970.

Esses sambistas tinham o objetivo de lutar não apenas pela igualdade racial, mas também por uma sociedade fundamentalmente igualitária. Com esse movimento, cumpriram um importante papel de aglutinador popular dentro dos bairros periféricos da cidade.

 Coleção de livros de bolso "Cardeais do Samba Paulista".
Coleção de livros de bolso “Cardeais do Samba Paulista”.

Para Nathália Oliveira, cofundadora e diretora executiva da Iniciativa Negra, realizadora do projeto, a missão do movimento de resgate e de preservação da memória do samba paulistano, proposto pela publicação, é seu avanço e seu reconhecimento.

“Ele deve seguir forte e ser valorizado como deve. Mais do que personagens do carnaval, essas pessoas foram lideranças negras que mobilizaram comunidades, enfrentaram o racismo e ajudaram a construir o samba como um elemento central da identidade cultural paulistana. É importante celebrar e se inspirar nessas histórias”, afirma.

De acordo com Joselicio Junior, fundador da Editora Dandara, a coleção foi pensada com o objetivo de contar a trajetória e importância desses que foram consagrados como os cardeais do samba.

“Eles ajudaram a consolidar o samba paulista, estruturar escolas de samba, construir enredos e fortalecer uma identidade própria para o samba de São Paulo. Os cardeais são os guardiões e mestres do samba paulista, responsáveis por manter viva uma tradição cultural fundamental para a história de São Paulo”.

O evento de lançamento da coleção será no dia 18 de maio, às 19h, na Fábrica do Samba – Espaço Cultural, em São Paulo.

Haverá depoimentos dos autores da publicação Bruno Sanches Baronetti, Tadeu Kaçula, Claudia Alexandre, Lyllian Bragança e Tiaraju Pablo D’Andrea, além de uma apresentação da Mocidade Unida da Mooca (MUM), com o enredo do Carnaval 2027: “Modupé, Cardeais!, terminando com roda de samba da Madrinha Eunice.

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