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Conselho de Ética rejeita cassação de Guto Zacarias, acusado de coerção para aborto

Por 4 votos a 2, a abertura de processo contra o deputado estadual de São Paulo foi rejeitada; parlamentares aliados argumentaram que vida privada não cabe ao colegiado
Deputado Guto Zacarias (Missão) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo em 2025.

Deputado Guto Zacarias (Missão) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo em 2025.

— Reprodução/Alesp

14 de maio de 2026

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) decidiu, nesta quarta-feira (13), arquivar a representação contra o deputado estadual Guto Zacarias (Missão), investigado por suposta quebra de decoro parlamentar após denúncias relacionadas à ex-companheira.

O placar terminou em quatro votos favoráveis ao arquivamento e dois pela abertura do caso. O presidente do colegiado, Delegado Olim (Progressistas), se absteve.

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Votaram pelo arquivamento os deputados Oseias de Madureira (PL), Rafael Saraiva (União Brasil), Bruno Zambelli (PL) e Eduardo Nóbrega (MDB). Pela continuidade do processo votaram Ediane Maria (PSOL) e Enio Tatto (PT).

Na mesma sessão, o colegiado também rejeitou um pedido de suspensão por 30 dias do deputado Lucas Bove (PL), acusado de violência política de gênero contra a deputada Monica Seixas (PSOL).

Leia mais: Bancada Feminista pede cassação do deputado Guto Zacarias, acusado de coagir ex-companheira a abortar

Guto Zacarias foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por violência psicológica contra a ex-companheira, uma mulher de 22 anos. 

Segundo informações divulgadas anteriormente pelo veículo Brasil de Fato, a vítima registrou boletim de ocorrência e relatou episódios de ameaças durante a gravidez. O relato afirma que as situações provocaram crises de pânico e abalo emocional.

A denúncia também atribui ao parlamentar tentativas de pressionar a ex-companheira a interromper a gestação. Segundo o documento, Zacarias teria sugerido clínicas clandestinas e apresentado métodos para interromper a gravidez, entre eles uso de medicamentos e procedimentos invasivos.

A vítima também relatou abandono financeiro, ausência de suporte durante a gravidez e falta de apoio após o nascimento da filha, ocorrido em 2025.

Ao registrar a ocorrência, ela solicitou medidas protetivas de urgência e afirmou temer pela própria segurança e pela segurança da criança.

Deputadas de oposição defenderam a abertura do caso. Monica Seixas e Ediane Maria afirmaram que a conduta relatada fere a dignidade da função pública, mesmo que os fatos tenham ocorrido no âmbito privado. 

Ediane classificou a coerção ao aborto como uma forma de violência contra a mulher que não pode ser ignorada pelos deputados.

Parlamentares aliados sustentaram a tese oposta. O deputado Eduardo Nóbrega, ao votar pelo arquivamento, disse que o Conselho de Ética não tem competência para julgar atos da vida íntima. Ele alertou contra o risco de criar um “tribunal de inquisição” sobre a vida pessoal dos parlamentares.

Com o arquivamento, a representação deixa de avançar no Conselho de Ética da Alesp.


Leia mais: Deputado Guto Zacarias é acusado de coagir ex-companheira a abortar

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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