O deputado estadual Guto Zacarias (Missão) é acusado de coagir a ex-companheira, uma mulher de 22 anos, a realizar um aborto no primeiro semestre de 2024.
Conforme apuração do Brasil de Fato, o parlamentar foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), em 17 de julho de 2025, por violência psicológica contra a mulher no âmbito da Lei Maria da Penha (nº 11.340/2006).
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
Em 12 de fevereiro de 2025, a ex-companheira registrou um boletim de ocorrência contra Zacarias por violência psicológica. O processo tramita em segredo de Justiça.
O parlamentar é um dos principais nomes da extrema-direita ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL) no estado de São Paulo e é pré-candidato a deputado federal por São Paulo.
Até o início deste ano, era vice-líder do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).
De acordo com a denúncia, a vítima teria sido submetida a manipulação e chantagem emocional por parte do deputado, com quem manteve relacionamento entre 2021 e abril de 2024.
Leia mais: Deputados de extrema-direita, ligados ao MBL, tentam mudar conceito de racismo na lei
Zacarias teria sugerido clínicas clandestinas para a realização do aborto, além de outros métodos invasivos para interromper a gestação, como o uso de comprimidos e procedimentos de sucção.
Durante a gravidez, a ex-companheira relatou no documento ter enfrentado crises após ameaças, pressão psicológica, episódios de pânico e intimidação, que teriam provocado abalo emocional.
Ela também apontou abandono financeiro, ausência de suporte à vítima e ao bebê, que nasceu no início do ano passado. Ao registrar o boletim de ocorrência, a vítima solicitou medidas protetivas de urgência e afirmou temer pela própria vida diante de ameaças frequentes e pela segurança da filha.
A ex-companheira se manifestou afirmando que solicitou o arquivamento do processo. No entanto, o Ministério Público é o autor da ação, e ela figura como vítima, o que pode inviabilizar a medida.
Até o momento, o deputado não se posicionou sobre o caso.
Leia mais: Projeto quer proibir condenados por violência doméstica de disputarem eleições