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Deputado Guto Zacarias é acusado de coagir ex-companheira a abortar

Denúncia do Ministério Público de São Paulo aponta episódios de ameaça e violência psicológica contra a mulher
Deputado Guto Zacarias (Missão) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo em 2025.

Deputado Guto Zacarias (Missão) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo em 2025.

— Reprodução/Alesp

2 de abril de 2026

O deputado estadual Guto Zacarias (Missão) é acusado de coagir a ex-companheira, uma mulher de 22 anos, a realizar um aborto no primeiro semestre de 2024.

Conforme apuração do Brasil de Fato, o parlamentar foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), em 17 de julho de 2025, por violência psicológica contra a mulher no âmbito da Lei Maria da Penha (nº 11.340/2006).

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Em 12 de fevereiro de 2025, a ex-companheira registrou um boletim de ocorrência contra Zacarias por violência psicológica. O processo tramita em segredo de Justiça.

O parlamentar é um dos principais nomes da extrema-direita ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL) no estado de São Paulo e é pré-candidato a deputado federal por São Paulo. 

Até o início deste ano, era vice-líder do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

De acordo com a denúncia, a vítima teria sido submetida a manipulação e chantagem emocional por parte do deputado, com quem manteve relacionamento entre 2021 e abril de 2024. 

Leia mais: Deputados de extrema-direita, ligados ao MBL, tentam mudar conceito de racismo na lei

Zacarias teria sugerido clínicas clandestinas para a realização do aborto, além de outros métodos invasivos para interromper a gestação, como o uso de comprimidos e procedimentos de sucção.

Durante a gravidez, a ex-companheira relatou no documento ter enfrentado crises após ameaças, pressão psicológica, episódios de pânico e intimidação, que teriam provocado abalo emocional. 

Ela também apontou abandono financeiro, ausência de suporte à vítima e ao bebê, que nasceu no início do ano passado. Ao registrar o boletim de ocorrência, a vítima solicitou medidas protetivas de urgência e afirmou temer pela própria vida diante de ameaças frequentes e pela segurança da filha.

A ex-companheira se manifestou afirmando que solicitou o arquivamento do processo. No entanto, o Ministério Público é o autor da ação, e ela figura como vítima, o que pode inviabilizar a medida.

Até o momento, o deputado não se posicionou sobre o caso.

Leia mais: Projeto quer proibir condenados por violência doméstica de disputarem eleições

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  • Thayná Santana

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