PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Povos tradicionais fazem aliança inédita em defesa da Mata Atlântica

Aliança surge como uma resposta política e cultural à exploração predatória da natureza
Indígenas durante acampamento em protesto contra o marco temporal, em 2023

Indígenas durante acampamento em protesto contra o marco temporal, em 2023

— Marcelo Camargo/Agência Brasil

31 de maio de 2026

Representantes de territórios ancestrais se reuniram na Universidade de São Paulo (USP) em 27 de maio para o lançamento oficial da Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica. O movimento é histórico, pois trata-se da primeira articulação dos Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs) organizada de forma unitária para representar e defender o bioma Mata Atlântica. A coalizão articula sete fóruns regionais e a Comissão Guarani Yvyrupa.

A aliança surge como uma resposta política e cultural à exploração predatória da natureza. Composta por indígenas, quilombolas, caiçaras, caboclos, marisqueiras, pescadores artesanais e povos de terreiro do sul, sudeste e nordeste do Brasil, a frente defende que a conservação da sociobiodiversidade é indissociável da garantia dos direitos territoriais dessas populações.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Integram a aliança as seguintes organizações: Comissão Guarani Yvyrupá (CGY), Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) do Litoral Sul do RJ e Norte de SP, Fórum dos PCTs do Vale do Ribeira, Fórum de PCTs de Sergipe, Fórum de PCTs das Baías Kirimure, Fórum de Pescadores em Defesa da Baía de Sepetiba, Fórum de PCTs de Paranaguá e Fórum de PCTs de Guaraqueçaba.

A iniciativa busca dar visibilidade ao papel central que essas comunidades desempenham no manejo sustentável e na conservação ambiental, combatendo a narrativa de expansão colonial que ainda ameaça seus modos de vida.

Leia mais: Mata Atlântica perdeu vegetação equivalente a 16 municípios de São Paulo em quase 40 anos

O bioma em disputa e o papel dos guardiões

A Mata Atlântica foi o primeiro bioma a sofrer os impactos da colonização e permanece, hoje, como o mais devastado e pressionado pelo processo de expansão urbana e industrial. A fragmentação das florestas e a poluição dos rios, lagos e oceanos não apenas ameaçam espécies raras como também tentam apagar as culturas que dependem diretamente desses ecossistemas para existir.

Neste cenário, os povos e comunidades tradicionais emergem como as principais barreiras contra a degradação. Seus modos de vida, baseados no manejo agroecológico, na pesca artesanal e no profundo conhecimento da fauna e flora, são o que mantém de pé os remanescentes florestais mais preservados do país.

“Reconhecer esses povos como guardiões é admitir que não existe defesa ambiental eficaz sem a proteção das comunidades que cuidam da terra e do território há séculos”, diz comunicado sobre o lançamento da aliança.

A aliança em defesa da Mata Atlântica aponta que restam hoje apenas cerca de 12,4% da vegetação original do bioma, que originalmente cobria 15% do território brasileiro em 17 estados. Apesar da devastação, a floresta ainda abriga mais de 20 mil espécies de plantas e mais de 2 mil espécies de animais vertebrados, sendo que muitas delas não existem em nenhum outro lugar do planeta.

Além disso, o bioma é vital para a economia e a vida humana, sendo responsável pelo abastecimento de água de mais de 145 milhões de brasileiros, o que representa cerca de 70% da população do país.

Leia mais: Moradores denunciam instalação de incinerador de lixo perto da Mata Atlântica em São Paulo

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • A Alma Preta é uma agência de notícias e comunicação especializada na temática étnico-racial no Brasil.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano