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Racismo, xenofobia e elitismo marcam início da Copa do Mundo nos EUA

Semana de início do Mundial é marcada por denúncias de visto negado e hostilidade na chegada de torcedores e seleções estrangeiras aos Estados Unidos
Integrantes da delegação de Senegal são inspecionados dos pés às cabeças ao desembarcarem nos EUA.

Integrantes da delegação de Senegal são inspecionados dos pés às cabeças ao desembarcarem nos EUA.

— Reprodução/Redes sociais

11 de junho de 2026

Nesta quarta-feira (10), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que está trabalhando para que as pessoas certas entrem no país norte-americano, um dos três escolhidos para sediar o torneio mundial, ao lado de México e Canadá. “Estamos trabalhando para garantir que as pessoas certas entrem em nosso país”, afirmou em coletiva de imprensa.

A abertura do torneio ocorreu nesta quinta (11). O país deve receber até 10 milhões de visitantes para assistir aos jogos.

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 A fala de Trump ocorre após uma sequência de recusas de vistos para entrar nos EUA, além de atrasos migratórios e inspeções rigorosas direcionadas principalmente a pessoas de países do Oriente Médio e da África. 

Os episódios levantaram questionamentos sobre a capacidade do principal país anfitrião garantir segurança e hospitalidade aos países classificados, com muito esforço, para participar da Copa do Mundo.

Recepção hostil

Assim que desembarcou nos EUA, a seleção do Uzbequistão foi revistada por cães farejadores treinados para encontrar bombas e drogas ainda na pista do aeroporto.

Imagens que circulam nas redes sociais também mostram integrantes da delegação de Senegal sendo inspecionados dos pés às cabeças com detectores de metal. Segundo relatos, os atletas foram revistados antes mesmo de deixarem a área de desembarque.

Leia mais: Em meio a denúncias, ONU pede para os EUA reavaliarem políticas de imigração durante a Copa

Torcedores barrados 

A Federação de Futebol do Irã (FFIRI) anunciou a retirada da cota de 8% de ingressos reservada aos torcedores iranianos. A medida viola as normas da Federação Internacional de Futebol (FIFA), que determinam que a cota deve valer para cada partida e ser repassada a cada seleção envolvida nos jogos da Copa do Mundo.

Repórter brasileira relata racismo em aeroporto

 A repórter Karine Alves, da TV Globo, fez um desabafo sobre uma abordagem racista ao desembarcar para a cobertura do torneio mundial.

“Quando cheguei nos Estados Unidos, eu não entendi direito, mas pediram que eu levantasse o cabelo de forma ríspida. Eu fiquei sem reação, mas depois entendi e levantei o cabelo, porque muitas mulheres negras passam por isso. Foi algo muito pontual, mas que outras colegas, por exemplo, não passaram por isso aqui”, disse.

Interrogatório de sete horas

Hussein foi o autor do gol que classificou o país para a Copa do Mundo após 40 anos. Ele foi destaque na vitória por 2 a 1 sobre a Bolívia.

 O jogador do Iraque, Aymen Hussei, foi interrogado durante sete horas em sua chegada aos EUA. O atacante foi detido pelas autoridades de imigração do aeroporto de Chicago.

O iraquiano teve o pai, um militar, morto em 2008 pela Al Qaeda. Seis anos depois, teve o irmão foi sequestrado pelo Estado Islâmico e nunca mais foi encontrado.

Ingresso nas alturas

A FIFA está sob investigação pelas Procuradorias-Gerais de Nova York, Nova Jersey e Califórnia, além do Texas, por preços abusivos. As denúncias também incluem reclamações dos torcedores por terem sido enganados sobre a localização dos assentos.

As autoridades apuram a prática de precificação dinâmica. Uma chance de assistir à partida final em 19 de julho no MetLife Stadium, em Nova Jersey, pode custar aos torcedores quase US$ 33 mil (R$ 169 mil).

Surto de doenças

Os Estados Unidos já registraram mais de 2 mil casos de sarampo em 2026, quase o mesmo total contabilizado durante todo o ano passado. Ao mesmo tempo, o Canadá enfrenta surtos da doença e o México ultrapassou a marca de 11 mil casos.

Relatórios recentes de monitoramento também já identificaram a circulação de rotavírus, hepatite A e norovírus em algumas regiões dos Estados Unidos. Especialistas reforçaram a atenção com a chegada dos torcedores estrangeiros.

Árbitro retorna à Somália após ser barrado nos EUA

Nomeado o melhor árbitro masculino da África em 2025 pela Confederação Africana de Futebol (CAF), o árbitro da Somália, Omar Artan, teve a sua entrada negada nos Estados Unidos.

Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou à agência francesa de notícias AFP na terça-feira (9) que Artan estava “inabilitado para ser admitido nos Estados Unidos” por ser “suspeito de estar vinculado a supostos integrantes de organizações terroristas”.

Em seu país natal, Omar Artan retornou como herói. O povo somali recebeu o árbitro com uma festa e transformou o desembarque do profissional em um ato de orgulho nacional no Aeroporto Internacional Aden Abdulle Osman, em Mogadíscio.

Leia mais: Árbitro barrado pelos EUA é aplaudido em retorno à Somália e promete estar na Copa de 2030

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  • Mariane Barbosa

    Curiosa por vocação, é movida pela paixão por música, fotografia e diferentes culturas. Já trabalhou com esporte, tecnologia e América Latina, tema em que descobriu o poder da comunicação como ferramenta de defesa dos direitos humanos, princípio que leva em seu jornalismo antirracista e LGBTQIA+.

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