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Adversário do Brasil na Copa, Haiti enfrenta pior crise humanitária do Ocidente

Mais da metade da população haitiana necessita de assistência humanitária, enquanto o país enfrenta agravamento da violência e da fome
Um apoiador do presidente Jovenel Moïse, assassinado em 2021 no Haiti.

Um apoiador do presidente Jovenel Moïse, assassinado em 2021 no Haiti.

— Deus Nalio Chery/ASSOCIATED PRESS

19 de junho de 2026

O Haiti, próximo adversário do Brasil na Copa do Mundo de 2026, enfrenta uma crise humanitária classificada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como a “mais grave do Hemisfério Ocidental”. 

A seleção haitiana disputa a Copa do Mundo pela primeira vez em 52 anos. O país enfrenta a seleção brasileira em partida no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, nos Estados Unidos, a partir das 21h30 (horário de Brasília) desta sexta-feira (19).

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Há anos, a nação caribenha enfrenta graves problemas humanitários, políticos e de segurança. Cerca de 85% da capital, Porto Príncipe, sofre com o domínio de grupos armados e com o aumento da violência de gangues. Em julho de 2021, a situação de segurança pública se intensificou com o assassinato do presidente Jovenel Moïse.

Desde 2016 o Haiti não realiza eleições presidenciais e, em 2023, dois anos após a morte do então chefe de Estado, todos os mandatos foram encerrados. Apesar da formação de um novo governo de transição em 2024 para tentar restaurar a estabilidade, o ex-primeiro-ministro Ariel Henry acabou renunciando sob pressão de grupos armados no início do mesmo ano. 

Leia mais: Haiti se classifica para a Copa do Mundo em meio à crise no país

Um Conselho Presidencial de Transição foi formado em 2024 para liderar a transição e tentar restaurar a estabilidade do país que, atualmente, tem como primeiro-ministro Alix Didier Flis-Aimé. 

De acordo com a ONU, a insegurança alimentar atinge quase 6 milhões de haitianos. A fome aguda, aponta o Programa Mundial de Alimentos (PMA), afeta cerca de 4,3 milhões. 

Outras 1,5 milhão de pessoas vivem como deslocadas internas em decorrência da violência. Até o início de 2026, a crise deixou mais de 2,3 mil mortos e 1,1 mil feridos. 

A organização ainda destaca que o Haiti conta com 6,4 milhões de pessoas que precisam de auxílio. O número representa pouco mais que a metade da população nacional, de 11,6 milhões de habitantes.

Segundo um relatório da Anistia Internacional, publicado em fevereiro de 2025, também houve um aumento crítico do recrutamento forçado de crianças e adolescentes por gangues, com destaque para Porto Príncipe. O documento destaca um crescimento de 70% em um ano. 

A denúncia também reuniu relatos de violência sexual, estupro ou comércio sexual promovidos pelos grupos criminosos, com casos que envolvem vítimas de estupro coletivo e sequestro. 

Leia mais: Relatório denuncia recrutamento forçado de crianças e adolescentes por fome e medo no Haiti

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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