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Haiti se classifica para a Copa do Mundo em meio à crise no país

Apesar da vitória histórica após cinco décadas, a seleção haitiana foi impedida de jogar em casa devido à violência de grupos armados e da crise política que assola o país
Jogadores do Haiti comemoram vitória contra a Nicarágua, em Willemstad, capital de Curaçao, 18 de novembro de 2025.

Jogadores do Haiti comemoram vitória contra a Nicarágua, em Willemstad, capital de Curaçao, 18 de novembro de 2025.

— Reprodução/FIFA

19 de novembro de 2025

Em meio à crise política que o Haiti vive, a seleção do país conquistou nesta terça-feira (18) a classificação para a Copa do Mundo de 2026, na América do Norte. A vaga foi assegurada com a vitória por 2 a 0 sobre a Nicarágua, na última rodada da fase final das Eliminatórias da Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf). A partida foi disputada em Willemstad, capital de Curaçao.

O retorno ao Mundial acontece após cinco décadas. A seleção caribenha, comandada pelo francês Sébastien Migné, venceu com gols de Louicius Deedson, aos nove minutos, e Ruben Providence, nos acréscimos do primeiro tempo.

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Com o resultado, a seleção caribenha terminou em primeiro lugar no Grupo C, com 11 pontos, seguida de Honduras, com nove pontos.

A classificação é histórica, pois os haitianos voltam ao torneio após sua primeira participação, em 1974, na então Alemanha Ocidental. Agora, o país se junta a Panamá e Curaçao entre os representantes da Concacaf no torneio global.

A vitória também ocorreu em meio à impossibilidade da seleção haitiana jogar em seu próprio estádio, na cidade de Porto Príncipe, devido à violência e instabilidade política do país.

Crise política, humanitária e avanço das gangues

A nação caribenha enfrenta, há anos, uma crise política, humanitária e de segurança. A violência das gangues se intensificou, com o domínio de grupos armados que controlam 85% da capital, Porto Príncipe, onde fica o principal estádio do país, o Stade Sylvio Cator.

Desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse, em julho de 2021, a situação de segurança pública se agravou. O país não possui um parlamento em funcionamento e não realiza eleições presidenciais desde 2016. Em 2024, foi formado um novo governo de transição para tentar restaurar a estabilidade, atualmente liderado por um Conselho Presidencial de Transição.

O ex-primeiro-ministro Ariel Henry, incapaz de conter o avanço das gangues, acabou renunciando sob pressão de grupos armados no início de 2024.

A escalada da violência também comprometeu a segurança alimentar, a nação vivencia uma das crises alimentares mais graves do mundo, além de violência, sexual, estrupo e sequestro de vítimas promovidos por gangues. 

De acordo com o Programa Mundial de Alimentos(PMA), dos 11,7 habitantes, cerca de 4,3 milhões atualmente vivem em situação de fome aguda. O Alto Comissariado das Organizações das Nações Unidas (ONU) ainda alertou que mais de 5,6 mil pessoas foram mortas no Haiti em 2024 devido à violência dos grupos. 

O acesso à ajuda humanitária também afeta o cenário. Em 2023, uma força de segurança internacional apoiada pela ONU, liderada pelo Quênia, foi prometida para auxiliar a polícia haitiana no enfrentamento aos grupos criminosos. No entanto, a missão ainda não foi totalmente implantada.

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  • Thayná Santana

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