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Mesmo com maioria negra na população, brancos são 58% dos juízes na Bahia

Pesquisa do Observatório da Branquitude mostra que pessoas brancas seguem maioria entre magistrados e membros do Ministério Público da Bahia
Sede do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), em Salvador.

Sede do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), em Salvador.

— Reprodução/CNJ

7 de julho de 2026

Uma pesquisa inédita do Observatório da Branquitude, publicada nesta terça-feira (7), indica que, embora a população baiana seja majoritariamente negra, mais da metade dos juízes e desembargadores da Bahia são brancos.

Segundo o Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 80% da população baiana é composta por pessoas negras. No entanto, o estudo destaca que elas representam apenas 42% dos magistrados do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA). Brancos ocupam 58% dos cargos. 

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O levantamento indica que o percentual é ainda maior no Ministério Público da Bahia (MPBA), no qual 66% dos promotores e procuradores de Justiça são brancos. Negros somam somente 34% dos postos. 

Leia mais: Mais de 85% dos juízes de tribunais superiores são brancos

O observatório ressalta que a Bahia foi a primeira unidade federativa do país a implementar o sistema de cotas raciais nos concursos para juízes e promotores substitutos, em 2014. 

Mesmo assim, o estudo destaca que a presença de pessoas brancas entre os magistrados é proporcionalmente quase três vezes superior à participação de pessoas brancas na população baiana e, no Ministério Público, supera esse índice em mais de três vezes.

De acordo com o relatório, o salário inicial para os cargos-chave do sistema judiciário é aproximadamente R$ 30 mil. 

Para Carolina Canegal, coordenadora da pesquisa, nesse contexto, a paridade racial só deve ser alcançada em algumas décadas. Apesar do crescimento expressivo em relação ao início da série histórica (1980), a especialista afirma que a composição atual da magistratura ainda não representa a composição racial da população baiana. 

Leia mais: Justiça condena dono de escola por racismo e reconhece palavra da vítima como prova

“Se tomarmos como exemplo o TJBA, veremos que, entre a década de 1980 e o ano de 2009, o percentual de autodeclarados pretos é ínfimo, menos de 1%. Com a implementação do sistema de cotas, esse grupo, hoje, representa 15,4%, o que é um salto expressivo, embora a soma de pretos e pardos na geração atual da instituição ainda não espelha, nem de longe, a população do estado”, explica Canegal em nota à imprensa.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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