São Paulo será palco de uma grande homenagem para lideranças das religiões de matriz africana e afro-indígena. O Prêmio Odara 2026 será realizado no dia 30 de julho, às 18h, no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, localizado na Vila Nova Cachoeirinha, Zona Norte.
A iniciativa nasce com o propósito de reconhecer sacerdotes, sacerdotisas e lideranças que, ao longo de décadas, preservam fundamentos ancestrais, acolhem comunidades e mantêm vivos saberes que constituem parte essencial da formação cultural, espiritual e civilizatória do Brasil.
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Idealizado pelo Núcleo de Cinematografia Afro-Religiosa Odara Produções e organizado pela Ẹgbẹ́ Òṣògìyán Kolá, em parceria com o Ilê Àṣẹ Ojú Obá Ọmọ Oyá, o prêmio reafirma a importância histórica dos terreiros como espaços de resistência, educação, cuidado coletivo e preservação da memória afro-brasileira.
Muito além da dimensão religiosa, os terreiros desempenham um papel social fundamental. Ao longo da história, foram refúgios de proteção para a população negra, centros de transmissão de conhecimentos ancestrais e territórios de afirmação cultural diante de séculos de perseguição, racismo e intolerância.
Em seus barracões, mantiveram-se vivos idiomas, cantigas, filosofias, práticas de cura, modos de organização comunitária e formas de pertencimento herdadas de povos africanos e reelaboradas no Brasil.
Mesmo diante da criminalização e da violência, sacerdotes e sacerdotisas continuaram sustentando, com dignidade e compromisso, tradições que ajudaram a moldar a identidade brasileira. São homens e mulheres que transformaram seus terreiros em espaços de acolhimento, orientação espiritual, assistência social, fortalecimento da autoestima do povo negro e preservação da ancestralidade.
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Ao homenagear essas lideranças, o Prêmio Odara também contribui para o reconhecimento público das religiões de matriz africana e afro-indígena como patrimônios culturais, espirituais e civilizatórios do país. Em um contexto no qual o racismo religioso ainda impõe desafios cotidianos aos povos de terreiro, a premiação se apresenta como uma iniciativa de valorização, reparação simbólica e afirmação da legitimidade dessas tradições.
A programação do evento contará com falas de lideranças e apresentação do Samba de Roda da Família Ojú Ladé, grupo que fortalece a relação entre cultura popular, musicalidade, ancestralidade e expressão afro-brasileira. A noite também terá apresentações artísticas de dança sacra com Dan d’Òṣùmarè e Taiana d’Yewa, levando ao palco a força do corpo como território de memória, fé e tradição.
Um dos momentos simbólicos da cerimônia será a realização de um grande Xirê, representando a união entre os povos de terreiro, as diferentes casas, tradições e caminhos que compõem a diversidade das religiões de matriz africana e afro-indígena.
A cerimônia será conduzida pelo Babalawo e Babalorixá Bruno Nascimento, que atuará como cerimonialista do Prêmio Odara. Jornalista, historiador e sacerdote do culto aos Òrìṣà, Nascimento reforça que a homenagem nasce do compromisso com a preservação das tradições afro-brasileiras e com a valorização pública dos povos de terreiro.
“O Prêmio Odara não é apenas uma entrega de troféus. É um gesto de memória, respeito e reparação simbólica. Homenagear quem sustenta a tradição é também enfrentar o racismo religioso e afirmar que nossos terreiros são territórios de vida, cultura e resistência”, destaca.
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Serviço
Evento: Prêmio Odara 2026
Data: 30 de julho de 2026, às 18h
Local: Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso | Avenida Dep. Emílio Carlos, 3641 – Vila Nova Cachoeirinha, São Paulo – SP
Mais informações no perfil da Odara Produções no Instagram.