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Edital apoia projetos voltados ao futebol feminino em todo o Brasil

Futebol feminino ainda é praticado por apenas 5% das mulheres no Brasil
Menina negra prática futebol.

Menina negra prática futebol.

— Divulgação/Fundação Decathlon

12 de julho de 2026

A Fundação Decathlon no Brasil está com inscrições abertas, até 16 de agosto, para o programa “Elas em Campo”, iniciativa voltada ao enfrentamento de uma das principais causas estruturais da desigualdade no esporte feminino: o abandono total da prática esportiva entre meninas ainda na adolescência. 

Com aporte de R$ 1 milhão, o programa apoiará organizações sociais que já desenvolvem projetos voltados exclusivamente para a prática de futebol entre meninas e adolescentes de 6 a 18 anos, contribuindo para ampliar o acesso e a permanência feminina no esporte, fortalecendo espaços seguros, estruturados e acolhedores.

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A menos de um ano do principal campeonato global de futebol feminino, que acontecerá pela primeira vez no Brasil em 2027, cresce a discussão sobre qual legado o torneio poderá deixar para meninas e mulheres que praticam esporte.

Mais do que ampliar a visibilidade da modalidade durante o evento, o desafio passa por fortalecer as condições de acesso ao futebol nos territórios onde a prática esportiva ainda enfrenta barreiras históricas. 

Leia mais: Rio lança projeto para fortalecer futebol feminino nas Vilas Olímpicas

Além do aporte financeiro, os projetos selecionados serão acompanhados pela Fundação Decathlon durante os 12 meses seguintes ao investimento, com suporte para implementação, monitoramento e gestão da aplicação dos recursos.

Como parte dos critérios de seleção, as organizações deverão atuar em territórios localizados a até duas horas de deslocamento de uma loja física da Decathlon, permitindo maior proximidade entre os projetos, os colaboradores da empresa e as comunidades beneficiadas, ampliando as possibilidades de presença, engajamento e construção conjunta ao longo do desenvolvimento das iniciativas.

Poderão participar organizações sem fins lucrativos com atuação comprovada em territórios vulneráveis, os projetos deverão atender exclusivamente meninas e mulheres de 6 a 18 anos, apresentar histórico consistente de atuação e demonstrar capacidade de gerar impacto duradouro nas comunidades atendidas. O edital também valorizará iniciativas que promovam a participação de lideranças femininas e fortaleçam a conexão entre colaboradores da Decathlon e os territórios beneficiados. 

Onde começam as desigualdades no esporte 

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), 49% das mulheres abandonam a prática esportiva durante a adolescência e isso não acontece por acaso. O dado reflete a falta de infraestrutura adequada, de materiais esportivos específicos e de espaços voltados à prática feminina, somado a obstáculos culturais que historicamente restringem a participação das mulheres no esporte de maneira geral, mas sobretudo no futebol.

Apesar dos avanços e de uma maior atenção da sociedade nos últimos anos, as oportunidades e estímulos para a prática esportiva feminina nesse segmento seguem marcados por desigualdades desde a infância. 

Segundo recente pesquisa da Decathlon, em parceria com a Consumoteca, o futebol é a principal porta de entrada esportiva para os homens (39%), enquanto apenas 5% das mulheres começaram a praticar exercícios por meio dessa modalidade na infância.

Para eles, o futebol atua como uma socialização primária, ensinando o movimento em grupo e a dinâmica do jogo desde cedo. Já o público feminino é socialmente induzido a iniciar sua vida ativa por práticas individuais, como dança, pilates e yoga, que são orientadas ao corpo como um objeto de cuidado e estética, e não necessariamente ao prazer do jogo ou da competição coletiva. 

Essa diferenciação precoce reflete uma construção cultural onde o esporte para a mulher é frequentemente apresentado como uma ferramenta de manutenção da aparência, enquanto para os homens ele se consolida, inicialmente, como um espaço de pertencimento e recreação.

A necessidade de ampliar essas oportunidades e mudanças também aparece de maneira massiva na percepção da população. Pesquisa realizada pela Offerwise mostra que 84% dos brasileiros acreditam que as escolas deveriam incentivar mais a prática do futebol entre meninas, enquanto oito em cada dez pessoas acreditam que o futebol feminino é uma ferramenta de transformação social.

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