A trajetória e a produção intelectual de Beatriz Nascimento (1942–1995), uma das mais importantes pensadoras negras do Brasil, pode alcançar mais pessoas com a disponibilização gratuita da edição digital do livro “Eu Sou Atlântica: lugares e rotas de Beatriz Nascimento”, de autoria do geógrafo e antropólogo Alex Ratts.
A publicação, disponível gratuitamente no site da Fundação Rosa Luxemburgo, democratiza o acesso a uma obra considerada referência para compreender temas como diáspora africana, quilombos, racismo estrutural e feminismo negro.
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Publicado pela primeira vez em 2007, o livro permaneceu esgotado por 18 anos. Em 2025, voltou às livrarias em uma edição impressa revisada e ampliada, com novos capítulos. A versão digital é uma parceria entre Ratts, a Editora Oralituras e a Fundação Rosa Luxemburgo.
Para a coordenadora de projetos de Raça e Gênero, da Fundação Rosa Luxemburgo, Christiane Gomes, a edição digital mostra uma autora cuja produção segue influenciando o debate sobre relações raciais, território e memória no Brasil.
“Beatriz Nascimento formulou interpretações sobre racismo, território, memória e resistência que continuam fundamentais para compreender o Brasil de hoje. Disponibilizar esta obra em formato digital é uma forma de dar acesso a esse pensamento e fazer com que ele circule entre novas gerações de leitores, pesquisadores e militantes”, afirma.
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‘Eu Sou Atlântica’
O livro reúne textos, reflexões e análises sobre sua vida e sua produção. A partir de documentos, entrevistas e escritos da própria Beatriz, o autor apresenta seus percursos intelectuais, políticos e pessoais e ajuda a situar a importância de suas ideias na história do pensamento negro brasileiro.
O título do livro faz referência à relação que Beatriz estabelecia entre corpo, território e diáspora. Em seus estudos, os quilombos não aparecem apenas como espaços históricos de resistência à escravidão, mas como formas de organização, memória e continuidade da experiência negra.
A edição digital permite que a obra chegue a estudantes, professores, pesquisadores e leitores que não tiveram acesso às publicações anteriores. O lançamento também contribui para manter em circulação um pensamento que segue presente nas discussões sobre desigualdade racial, violência de gênero, memória e produção de conhecimento no Brasil.
Historiadora, poeta, roteirista e ativista, Beatriz Nascimento nasceu em 12 de julho de 1942 e completaria 84 anos em 2026. Sua produção se tornou referência para os estudos sobre diáspora africana, quilombos, identidade negra, racismo e feminismo negro.
A intelectual foi vítima de feminicídio, em 1995, aos 53 anos, ao tentar proteger uma amiga de uma situação de violência doméstica. Sua morte interrompeu uma trajetória intelectual marcada pela pesquisa, pela militância e pela reflexão sobre a experiência negra no Brasil.
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