A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo informou, na quinta-feira (23), que poderá abrir um procedimento de descredenciamento da organização responsável pelo Centro de Educação Infantil (CEI) Luz do Brás, após a morte de um bebê de 1 ano e 4 meses na unidade escolar.
Adboulayne Dieng, filho de pais senegaleses, estava em uma sala multiuso com outras crianças na quarta-feira (22), quando ficou preso em uma estrutura metálica instalada diante de um espelho. O bebê tentou se soltar sozinho por seis minutos antes de ser encontrado pelas monitoras, que, de acordo com as gravações, só perceberam o ocorrido após retornar à sala.
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O menino foi levado à Unidade de Pronto Atendimento Mooca, onde teve a morte confirmada. Segundo o boletim de ocorrência, não houve acionamento do Corpo de Bombeiros ou do Serviço de Atendimento Móvel de Emergência (SAMU).
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O caso foi registrado como homicídio culposo no 8º Distrito Policial (DP), no Brás. Cinco profissionais da CEI estão entre os investigados, incluindo coordenadoras, diretoras e pedagogas.
A Secretaria de Educação informou que iniciou um procedimento administrativo para apurar o caso e que adotará as providências cabíveis após a conclusão das investigações.
Em entrevista ao G1, o advogado da família, Erson de Oliveira, declarou que, conforme as gravações, Adboulayne estava sem supervisão no momento do acidente, e destacou que o desfecho seria diferente se houvesse o acompanhamento adequado.
A unidade escolar integra as escolas municipais paulistas conveniadas e é gerida por uma entidade privada em parceria com a Prefeitura de São Paulo, que custeia as vagas. Das mais de 4 mil escolas paulistanas, 2,5 mil fazem parte da rede privatizada.
Parlamentares se manifestam sobre o caso
A vereadora Luana Alves (PSOL) afirmou que recebeu relatos de diversas mães sobre a falta de profissionais do CEI. Na sala da vítima, apenas uma educadora estaria responsável pelo cuidado de várias crianças.
Nas redes sociais, a parlamentar ofereceu apoio aos familiares e destacou que seu mandato acompanha o caso.
“Esse caso é resultado direto da precarização e da falta de fiscalização nas creches privatizadas”, disse Alves em publicação no Instagram.
Também em rede social, a codeputada estadual Sirlene Maciel, da Bancada Feminista do PSOL, ressaltou que a tragédia demonstra a importância da gestão pública nas escolas e creches do município.
“O número de alunos por professora, condições do prédio, espaço físico adequado, salas de leitura, presença de pessoal de apoio, tudo isso faz parte de uma política de investimento na educação! Infelizmente, o que vemos na gestão Ricardo Nunes vai na contramão desse processo”, diz trecho da publicação feita no X (antigo Twitter).
TRAGÉDIA. Solidariedade a família do bebê Abdoulaye Dieng de 1 ano e 4 meses que morreu após prender a cabeça numa grade em uma creche conveniada em SP e não ser socorrido. Muito triste…🥲
— Sirlene Maciel da Bancada Feminista (@Sirlenes_Maciel) July 23, 2026
Essa tragédia reacende um debate sobre terceirizar/privatizar a educação pública.
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