Na sexta-feira (23), o chefe do exército de Uganda, Muhoozi Kainerugaba, filho do recém-reeleito presidente, Yoweri Museveni, declarou que, após as eleições presidenciais realizadas em 15 de janeiro, 30 apoiadores da oposição foram mortos e 2 mil foram detidos após a votação.
Kainerugaba publicou a informação nas redes sociais acusando os opositores mortos de serem terroristas: “Até agora matamos 30 terroristas do NUP”, referindo-se à sigla em inglês do partido da oposição, a Plataforma de Unidade Nacional. Em outra publicação, Kainerugaba também acusou os presos de serem vândalos. Além disso, o chefe militar de Uganda ameaçou as lideranças opositoras: “A maior parte dos líderes da NUP está escondida. Nós vamos pegar todos eles.”
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Conforme informações da agência francesa de notícias AFP, o líder do NUP, Robert Kyagulanyi, conhecido como Bobi Wine, derrotado nas eleições, está escondido e acusa as forças de segurança de invadirem sua casa após as eleições, descritas por ele como um “roubo descarado”.
Neste mês, Museveni, de 81 anos, conquistou seu sétimo mandato com 72% dos votos contra 25% de Wine, de acordo com a Comissão Eleitoral local. Observadores africanos e ONGs internacionais criticaram a repressão à oposição e o corte do acesso à internet no país em meio às eleições.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, disse na quinta-feira (22) que estava “acompanhando com preocupação a situação após as eleições em Uganda, incluindo relatos de prisões, detenções e incidentes violentos envolvendo figuras da oposição e apoiadores”.
A União Europeia também expressou preocupação na sexta-feira (23), declarando: “Lamentamos a violência e as ameaças pré e pós-eleitorais, particularmente contra o líder da oposição Robert Kyagulanyi.”