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Etiópia inaugura maior hidrelétrica da África e provoca protesto do Egito na ONU

Barragem do Renascimento foi celebrada como marco continental, mas é denunciada por risco à segurança hídrica
Primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, faz comentários durante a cerimônia oficial de inauguração da Barragem do Renascimento (GERD), em Guba, 9 de setembro.

Primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, faz comentários durante a cerimônia oficial de inauguração da Barragem do Renascimento (GERD), em Guba, 9 de setembro.

— Luis Tato/AFP

9 de setembro de 2025

A Etiópia inaugurou nesta terça-feira (9) a maior hidrelétrica da África, a Barragem do Renascimento (GERD, na sigla em inglês), construída no rio Nilo Azul, próximo à fronteira com o Sudão. O primeiro-ministro Abiy Ahmed classificou o empreendimento como “um grande feito para todos os povos negros”.

Com 170 metros de altura, quase dois quilômetros de extensão e capacidade para armazenar 74 bilhões de metros cúbicos de água, a estrutura de US$ 4 bilhões (R$ 21.7 bilhões) deve gerar 5.150 megawatts de eletricidade — mais que o dobro da atual capacidade instalada do país.

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A inauguração contou com a presença de líderes regionais, como os presidentes William Ruto, do Quênia, e Hassan Sheikh Mohamud, da Somália.

Segundo o Banco Mundial, cerca de 45% dos 130 milhões de etíopes não têm acesso à eletricidade. O governo espera que a barragem reduza a dependência de geradores e impulsione a produção industrial, além de permitir a exportação de energia para países vizinhos por meio de linhas de transmissão que já chegam à Tanzânia.

A construção, iniciada em 2011, enfrentou dificuldades de financiamento, disputas diplomáticas e a guerra civil entre 2020 e 2022, mas foi concluída sob liderança da empreiteira italiana Webuild.

Países vizinhos temem que instalação comprometa a segurança hídrica na região. Foto: Luis Tato/AFP

Protesto egípcio

O Egito, que depende do Nilo para 97% de sua água, protestou contra a inauguração. Em carta enviada ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), o governo de Abdel Fattah al-Sisi classificou o ato como “medida unilateral que viola o direito internacional” e afirmou que defenderá os “interesses existenciais” de sua população.

O país considera o projeto uma ameaça à sua segurança hídrica, enquanto Adis Abeba insiste que a barragem não afetará o fluxo do rio. “A GERD é um exemplo de conquista que não prejudicará o desenvolvimento dos países a jusante”, disse Abiy.

O Nilo Azul fornece até 85% da água que forma o rio Nilo, que segue por Sudão e Egito até o Mediterrâneo. Para especialistas, além da questão hídrica, a disputa envolve segurança nacional.

 “Uma queda significativa no fornecimento ameaça a estabilidade interna do Egito”, disse Mohamed Mohey el-Deen, ex-integrante da equipe que avaliava o impacto da obra no Cairo.

Tentativas de mediação lideradas por Estados Unidos, Banco Mundial, Rússia, Emirados Árabes Unidos e União Africana fracassaram ao longo da última década.

Segundo a agência francesa de notícias AFP, analistas afirmam que, apesar da pressão internacional, o governo etíope utiliza o projeto como símbolo de unidade em meio a conflitos internos. 

“Com fragilidade política crescente, a barragem e a disputa com os vizinhos servem como estratégia de coesão nacional”, avaliou Alex Vines, do Conselho Europeu de Relações Exteriores.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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