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Conflito no Sudão deixa ao menos 330 crianças mortas ou feridas em 6 meses, alerta Unicef

Agência das Nações Unidas afirma que ataques com drones ampliam número de vítimas infantis, atingem escolas, hospitais e mercados e colocam cerca de 500 mil civis em risco no estado de Cordofão do Norte
Esta foto de satélite obtida em 11 de agosto do Planet Labs PBC e datada de 10 de agosto de 2025 mostra uma vista do aeroporto em Nyala, capital do estado de Darfur do Sul, região de fronteira do Sudão do Sul.

Esta foto de satélite obtida em 11 de agosto do Planet Labs PBC e datada de 10 de agosto de 2025 mostra uma vista do aeroporto em Nyala, capital do estado de Darfur do Sul, região de fronteira do Sudão do Sul.

— 2025 Planet Labs PBC/AFP

6 de julho de 2026

Pelo menos 330 crianças morreram ou ficaram feridas no Sudão entre janeiro e junho de 2026, segundo levantamento divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A agência afirma que a guerra continua a atingir a população infantil e destaca que os estados de Darfur e Cordofão registraram o maior número de vítimas nesse período.

Entre as regiões que mais preocupam a organização está a área de Al Obeid, capital do estado de Cordofão do Norte. Desde maio, ataques com drones e outros bombardeios provocaram mais de 35 vítimas infantis na região. Desse total, pelo menos 18 crianças morreram e mais de 17 ficaram feridas.

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As vítimas tinham entre dois meses e 17 anos de idade. De acordo com a Unicef, cerca de 60% desses casos ocorreram em ataques com drones, o que demonstra o impacto desse tipo de ofensiva sobre crianças e suas famílias.

Além das vítimas, a escalada dos confrontos compromete serviços essenciais. Segundo a agência, bombardeios e ataques com drones danificaram casas, escolas, unidades de saúde, sistemas de abastecimento de água e mercados.

Os ataques também interromperam rotas de abastecimento e aumentaram a pressão sobre serviços básicos, dificultando o acesso da população a alimentos, atendimento médico, água e educação.

A Unicef estima que cerca de 500 mil civis estejam em risco em Al Obeid e em outras áreas de Cordofão do Norte. A agência alerta que uma intensificação dos combates poderá expor ainda mais crianças à morte, a ferimentos, ao deslocamento forçado e a outras violações de direitos.

Leia mais: Fome aguda afeta cerca de 20 milhões de pessoas no Sudão

“Não há mais lugar seguro”

Em nota, o representante da Unicef no Sudão, Sheldon Yett, afirmou que as crianças enfrentam um ciclo permanente de violência, deslocamento e privação.

Segundo ele, muitas delas perderam qualquer possibilidade de proteção diante da expansão dos confrontos.

“As crianças estão presas em um ciclo contínuo de violência, deslocamento e privação. Para muitas delas, não há mais lugar seguro. Elas morrem e ficam feridas em suas casas, nas estradas, nos mercados e enquanto tentam acessar serviços essenciais, como educação e saúde. Crianças nunca devem ser alvo. Suas vidas, seus direitos e seus futuros precisam ser protegidos”, declarou.

Além das mortes e dos ferimentos, a Unicef afirma que a continuidade dos ataques aumenta os impactos sobre a saúde mental das crianças. O medo, a ansiedade e os traumas se intensificam, sobretudo entre famílias que enfrentam sucessivos bombardeios e deslocamentos.

A agência também alerta para outras violações registradas durante o conflito, como recrutamento e utilização de crianças por grupos armados, sequestros, violência sexual e ataques contra escolas e hospitais.

Leia mais: Relatório da ONU aponta indícios de genocídio em El-Fasher, no Sudão

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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