O general Mamady Doumbouya, que assumiu o poder após um golpe de Estado militar em 2021, tomará posse como presidente da Guiné no dia 17 de janeiro, após vencer as eleições realizadas no mês passado.
A cerimônia de posse, anunciada pelas redes sociais, ocorrerá no estádio General Lansana Conté, nos arredores da capital, Conacri. Essas são as primeiras eleições realizadas no país desde o golpe.
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No domingo (4), o Supremo Tribunal da Guiné validou o resultado da eleição, na qual Doumbouya foi eleito com 86,7% dos votos, confirmando os dados provisórios divulgados pela Direção-Geral de Eleições (DGE). O candidato Abdoulaye Yéro Baldé ficou em segundo lugar com 6,59% dos votos, percentual mantido em relação ao resultado provisório.
As eleições tiveram observadores da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao). Em suas conclusões preliminares, publicadas em 30 de dezembro, o órgão avaliou de forma positiva o processo eleitoral, destacando o esforço para “restaurar a ordem constitucional” no país.
“Essa eleição constitui um marco significativo e passo principal para completar a transição em direção à restauração da ordem constitucional na Guiné”, diz o relatório preliminar.
Apesar disso, por diversas razões os principais candidatos da oposição foram excluídos da eleição, como o ex-primeiro-ministro Cellou Dalein Diallo, o ex-presidente Alpha Condé e o ex-premiê Sidya Touré.
“O governo de transição suspendeu três dos principais partidos políticos por três meses (até janeiro de 2026), efetivamente enfraquecendo a oposição organizada, uma situação que levantou questões sobre a inclusão nas eleições”, disse a Cedeao
O órgão aponta ainda que houve redução da esfera pública, da liberdade de imprensa e de direitos políticos que reduziram as condições de uma eleição “totalmente aberta”
Denúncias de violações de direitos
Em setembro de 2021, Doumbouya liderou o golpe militar que derrubou Alpha Condé, primeiro presidente eleito democraticamente da Guiné. Durante seu governo, houve denúncias de repressão a liberdades civis, prisão e exílio de opositores, além da suspensão de manifestações e partidos políticos, conforme informações da agência francesa AFP.
No fim de setembro, a população aprovou uma nova Constituição em referendo, permitindo que integrantes do governo militar disputassem cargos públicos, o que abriu caminho para a candidatura de Doumbouya. O texto constitucional também ampliou o mandato presidencial de cinco para sete anos, com direito a uma reeleição.