No sábado (10), o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, deu uma declaração contra a interferência estrangeira na Tanzânia, ao encerrar uma visita no país africano no qual se encontrou com a presidente tanzaniana, Samia Suluhu Hassan. Durante a visita, o chefe da diplomacia chinesa evitou menções aos episódios de violência registrados no país africano que afastaram países do Ocidente.
Wang Yi é o primeiro chanceler a fazer uma visita oficial à Tanzânia desde os episódios de violência durante manifestações em meio às eleições no final do ano passado. Segundo a oposição tanzaniana, pelo menos 2.000 pessoas foram mortas por forças de segurança após as eleições legislativas e presidenciais realizadas em 29 de outubro, criticada por observadores internacionais.
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Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da China divulgou declarações do chanceler apontando que “apoia a Tanzânia na salvaguarda de sua soberania, independência e dignidade nacional, assim como a busca por um caminho adequado às suas condições nacionais”. O chanceler também afirmou que a China “se opõe a qualquer força interferência externa nos assuntos internos da Tanzânia, sob qualquer pretexto”.
Em comunicado conjunto, autoridades tanzanianas disseram que Wang parabenizou o país pela “condução bem-sucedida” das eleições “reiterou sua total confiança na liderança e nas instituições da Tanzânia para gerir os assuntos internos de forma independente”.
A China reforçou seus investimentos nas zonas econômicas especiais de baixos impostos do país, onde 343 projetos financiados pela China, totalizando US$ 3,1 bilhões (cerca de R$ 16,6 bilhões), foram registrados apenas em 2025, segundo informações divulgadas pela chancelaria da Tanzânia.
Depois da Tanzânia, Wang deve visitar o Lesoto, onde as tarifas dos Estados Unidos tensionaram as relações com Washington. Na sexta-feira (9), Wang cancelou o que seria a primeira visita de um chanceler chinês à Somália desde que o Estado colapsou em 1991.
A Tanzânia é um dos países mais populosos da África, com uma população de cerca de 64 milhões de pessoas, das quais cerca de 63% são cristãs e 34% são muçulmanas. Banhada pelo Oceano Índico, a região conquistou sua independência do Reino Unido em 1963 e faz fronteiras com Moçambique, Malauí, Zâmbia, República Democrática do Congo, Ruanda, Burundi, Uganda e Quênia.