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OMS pede cessar-fogo em áreas de conflito para conter avanço do ebola na RD Congo

Diretor-geral da agência especializada em saúde viaja a Bunia em meio ao surto da cepa Bundibugyo, que já soma mais de mil casos suspeitos; taxa de letalidade da epidemia está abaixo de 25%, inferior à de surtos anteriores
Um homem pendura uma faixa de conscientização sobre o Ebola no campo de refugiados de Kigonze, em Bunia, no leste da República Democrática do Congo, em 28 de maio de 2026.

Um homem pendura uma faixa de conscientização sobre o Ebola no campo de refugiados de Kigonze, em Bunia, no leste da República Democrática do Congo, em 28 de maio de 2026.

— Glody Murhabazi/AFP

28 de maio de 2026

A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez nesta quinta-feira (28) um apelo público por um cessar-fogo nas áreas de conflito do leste da República Democrática do Congo (RDC) para permitir o avanço das ações de contenção do atual surto de ebola no país.

Em carta direcionada à população congolesa, especialmente aos moradores da província de Ituri, epicentro da epidemia, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que os confrontos armados dificultam o acesso de profissionais de saúde às regiões afetadas e comprometem o controle da doença.

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“Faço um apelo direto a todas as partes em conflito nesta região: por favor, declarem um cessar-fogo. Mesmo que breve. Mesmo que apenas o suficiente para permitir a passagem dos profissionais de saúde”, publicou Tedros em seu perfil no X (antigo Twitter).

Segundo o diretor-geral da OMS, o avanço da epidemia ocorre em um cenário marcado por deslocamentos forçados, violência armada e dificuldades logísticas. Ele afirmou que equipes médicas enfrentam obstáculos para chegar a comunidades isoladas e que profissionais da saúde atuam sob risco constante.

“A situação de segurança custou tempo precioso. Profissionais de saúde foram atacados. Clínicas foram alvo de violência. Pessoas que tentavam salvar vidas acabaram presas em meio a um conflito que não iniciaram”, declarou.

Mais de 90% dos casos registrados até agora se concentram em Ituri, província localizada no nordeste da RDC, na fronteira com Uganda e Sudão do Sul. A região reúne corredores comerciais, áreas de mineração e intenso fluxo populacional, fatores apontados pelas autoridades sanitárias como elementos que favorecem a disseminação do vírus.

Tedros afirmou que conhece a realidade local desde o grande surto de ebola ocorrido entre 2018 e 2020, quando realizou 14 visitas ao leste congolês. Segundo ele, a experiência acumulada demonstra que o envolvimento das comunidades será decisivo para interromper a transmissão.

“Quando ouvimos as comunidades e elas se sentiram respeitadas, as coisas começaram a mudar. A confiança cresceu e conseguimos conter o surto”, afirmou.

O diretor-geral da OMS também dirigiu mensagens aos jovens e aos profissionais de saúde da região. “Vocês são a espinha dorsal desta resposta”. Aos jovens, pediu apoio no combate à desinformação e no compartilhamento de informações sobre a doença.

Tedros confirmou ainda que viajará para Bunia, principal cidade de Ituri, para acompanhar as operações sanitárias no local. “Não vou administrar isso de um escritório confortável distante daqui”, escreveu.

Leia mais: Países africanos unem esforços para conter avanço do ebola na RD Congo

Cepa Bundibugyo tem letalidade menor, mas não tem vacina

A taxa de letalidade da epidemia atual está abaixo de 25%, segundo atualização da OMS publicada nesta quarta-feira (27) na rede social X, com data de 24 de maio. O índice é significativamente inferior ao registrado nos 16 surtos anteriores na RDC desde 1976.

A maioria dessas epidemias teve a cepa Zaire como responsável. Essa variante costuma matar entre 60% e 90% dos infectados. Para a cepa Zaire, existem vacinas disponíveis.

O surto atual decorre da cepa Bundibugyo. Não há vacinas nem tratamentos aprovados para essa variante. Nos surtos anteriores relacionados a essa cepa na RDC, registrados em 2007 e 2012, as taxas de letalidade variaram entre 30% e 50%.

“A maioria dos surtos anteriores de ebola na RDC foi causada por um vírus chamado ebola Zaire, para o qual temos vacinas e tratamentos. Este surto é causado por um vírus diferente, chamado ebola Bundibugyo. Atualmente não há vacinas ou tratamentos aprovados para ele. Isso é grave, e vocês merecem ouvir isso claramente”, reconheceu Tedros em sua carta. 

Ele afirmou que, mesmo sem tratamentos específicos, cuidados de suporte precoces nos centros de tratamento podem salvar vidas. “Se você ou alguém que você conhece adoecer, por favor, não espere. Procurar ajuda precocemente pode fazer a diferença entre a vida e a morte.”


Leia mais: Surto de ebola se espalha em região controlada por milícia na RD Congo

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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