Nesta quinta-feira (16), forças de segurança abriram fogo durante o velório público do líder de oposição Raila Odinga, em Nairóbi, capital do Quênia, deixando pelo menos três pessoas mortas.
Odinga morreu aos 80 anos, na quarta-feira (15), após uma parada cardíaca em meio a um tratamento médico na cidade de Kochi, no sul da Índia. Ele era uma das principais lideranças políticas populares no país e um notório ativista pela democracia no Quênia.
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O velório de Odinga era realizado no estádio Kasarani e reuniu dezenas de milhares de pessoas em meio à comoção nacional por sua morte.
Segundo informações da agência AFP, as forças de segurança teriam disparado com armas de fogo e bombas de gás lacrimogênio para dispersar a multidão após uma invasão de uma área reservada, gerando caos e pânico no local.
A informação sobre as mortes foi divulgada nas redes sociais por um grupo de direitos humanos local, sem especificar a causa das fatalidades.
“A VOCAL Africa confirma que três corpos do estádio Kasarani foram recebidos nesta noite no necrotério da cidade […]. Estamos acompanhando se mais corpos são levados a outros locais”, publicou o grupo.
A AFP também relatou ter visto pelo menos uma pessoa ensanguentada no chão no estádio com ferimentos na cabeça, além de agressões com cassetetes das forças de segurança contra pessoas que tentavam fugir.

Outros incidentes relacionados à chegada no corpo de Odinga ao Quênia, conhecido como “Baba”, foram registrados. Mais cedo, uma multidão se reuniu no aeroporto internacional Jomo Kennyatta para receber o caixão de Odinga. A concentração no local gerou a suspensão temporária das operações do aeroporto.
O corpo do político seria levado ao parlamento queniano, mas a concentração de pessoas na região fez com que as autoridades mudassem os planos, levando o velório para o estádio Kasarani, onde foram registradas cenas de violência.
Nas redes sociais, a candidata à presidência Martha Karua questionou o uso de força letal e gás lacrimogêneo no estádio ao compartilhar um vídeo com imagens do caos registrado no local.
O presidente queniano, William Ruto esteve no estádio acompanhado de membros da família de Odinga. Eles prestaram homenagens ao falecido em uma sala reservada.
Ruto anunciou sete dias de luto em respeito ao político, além de um funeral com honras de Estado a ser realizado na capital queniana na sexta-feira (17).
“Agradeço a vocês, queridos cidadãos, por aparecerem em grandes números para receber Hon Odinga em sua casa. A demonstração de amor e afeto que vocês mostraram é um lembrete poderoso de que ele foi, até o final, um homem do povo — dedicado, altruísta e fiel aos ideais de nossa República”, publicou o presidente queniano em suas redes sociais nesta quinta-feira (16).

Ícone político
Nascido em 7 de janeiro de 1985, Raila Odinga foi perseguido por lutar por democracia durante o período do governo autoritário de Daniel arap Moi (1924-2020), que presidiu o Quênia de 1978 a 2002.
A atividade política de Odinga foi importante para reformas democráticas no país, incluindo a nova Constituição, de 2010. O líder chegou a ser primeiro-ministro do Quênia de 2008 a 2013, mas nunca conseguiu ser eleito chefe de Estado no país africano, apesar de cinco tentativas.
Com eleições presidenciais marcadas para 2027, a morte de Odinga deixa um vácuo na oposição queniana, além de gerar comoção no país, que vive uma crise política marcada por recentes protestos violentos.