A volta da República Democrática do Congo para a Copa do Mundo de 2026 representa uma conquista histórica. Após derrotar a Jamaica por 1 a 0 na prorrogação, na terça-feira (31), em jogo da repescagem intercontinental, a seleção congolesa garantiu o retorno ao mundial após 52 anos.
O gol decisivo foi marcado pelo zagueiro do Burnley, Axel Tuanzebe, no Estádio Akron, assegurando a vaga no Mundial, onde a equipe enfrentará Portugal, Colômbia e Uzbequistão pelo Grupo K.
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A classificação sela uma campanha dramática dos Leopardos, que põe fim a uma espera que remonta a 1974, na Alemanha, última participação do país quando ainda se chamava Zaire e se tornou a primeira nação da África Subsaariana no torneio.
Até chegar a repescagem, os congoleses, sob o comando do treinador Sébastien Desabre, eliminaram seleções tradicionais do futebol africano, como Nigéria e Camarões.
Mais de cinco décadas depois, os congoleses reescrevem a história do país no futebol. Na capital, Kinshasa, com cerca de 17 milhões de habitantes, o apito final foi recebido com buzinas, carros e muito barulho após 120 minutos intensos.
Torcedores tomaram as ruas sob a chuva e celebraram a noite, em uma onda de orgulho e alívio nacional.
Em uma volta carregada de simbolismo, a nação da África Central retorna ao palco do Mundial com uma nova geração. Na última participação, a equipe foi derrotada por Escócia, Iugoslávia e Brasil na fase de grupos.
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Á época, o país vivia sob a ditadura de Joseph Mobutu, que assumiu o país depois do assassinato do líder Patrice Emery Lumumba, símbolo da luta anticolonial e da independência do país africano, que foi homenageado durante a Copa Africana de Nações.
Sob esse contexto, o futebol era utilizado como instrumento de propaganda e controle sobre os jogadores.
O momento é raro em uma nação atravessada por cerca de 30 anos de conflitos armados, agravados recentemente pelo avanço do grupo M23, apoiado por Ruanda, que tomou áreas das províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul entre janeiro e fevereiro.
Apesar de ser um dos países mais ricos em recursos minerais — e o maior produtor mundial de cobalto, essencial para baterias de eletrônicos —, a RD Congo enfrenta há décadas instabilidade na região leste, impulsionada pela disputa por esses recursos, o que alimenta ciclos de violência, corrupção, contrabando e má gestão.
A equipe se torna a décima representante africana no Mundial, juntando-se a Argélia, Cabo Verde, Egito, Gana, Costa do Marfim, Marrocos, Senegal, África do Sul e Tunísia.
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