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África supera Ásia e se torna o continente com mais pessoas em situação de fome

Relatório aponta que 309 milhões de africanos enfrentaram a fome em 2025; conflitos, crise climática e alto custo da alimentação agravam o cenário
Moradores sudaneses se reúnem para receber refeições gratuitas em Al Fasher, uma cidade sitiada pelas Forças de Apoio Rápido (RSF), paramilitares do Sudão, há mais de um ano, na região de Darfur.

Moradores sudaneses se reúnem para receber refeições gratuitas em Al Fasher, uma cidade sitiada pelas Forças de Apoio Rápido (RSF), paramilitares do Sudão, há mais de um ano, na região de Darfur.

— Reprodução/Agence France-Presse

22 de julho de 2026

A África passou a concentrar, pela primeira vez, o maior número de pessoas em situação de fome no mundo. Segundo o relatório anual sobre segurança alimentar e nutrição das Nações Unidas, divulgado nesta terça-feira (21), cerca de 309 milhões de africanos enfrentaram a fome em 2025, ultrapassando a Ásia, que registrou 292 milhões de pessoas subalimentadas.

O estudo, elaborado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) em parceria com outras quatro agências da ONU, aponta que a fome atingiu 20% da população africana no último ano. Na Ásia, o índice foi de 6%.

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Apesar da mudança no cenário global, o relatório mostra que a fome diminuiu no mundo nos últimos anos. A proporção da população mundial em situação de subalimentação caiu de 8,6% em 2022 para 7,8% em 2025. Em números absolutos, o total passou de 688 milhões para 645 milhões de pessoas, redução de 43 milhões. Ainda assim, o contingente permanece acima dos níveis registrados antes da pandemia de Covid-19.

Durante a apresentação do relatório, o diretor da Divisão de Economia Agroalimentar da FAO, David Laborde, afirmou que o “centro de gravidade da fome” deixou a Ásia e passou para a África.

Segundo ele, essa mudança reflete trajetórias distintas entre as regiões nas últimas décadas.

“Há 25 anos, a China ainda enfrentava um problema de fome, mas conseguiu superá-lo. A Índia também enfrenta esse desafio, mas tem feito muitos esforços para resolvê-lo”, afirmou Laborde à agência de notícias Agence France-Presse (AFP).

Embora a prevalência da subalimentação venha aumentando no continente africano desde 2017, as estimativas mais recentes indicam sinais de melhora em 2025.

Leia mais: Conflitos agravam fome na África e projeção de erradicação chega a 111 anos

Alimentação saudável segue fora do alcance

Além do avanço da fome, o relatório destaca que o acesso à alimentação saudável continua limitado para grande parte da população africana.

Segundo a ONU, 66,6% dos habitantes do continente não conseguem arcar com o custo de uma dieta considerada saudável. O percentual é mais que o dobro do registrado na Ásia e segue em alta desde 2021, enquanto outras regiões apresentaram redução nesse indicador.

Diante desse cenário, o relatório recomenda que os países africanos ampliem investimentos na transformação da cadeia de alimentos de origem animal, considerada a categoria alimentar de maior custo no continente.

O estudo aponta que a combinação entre conflitos armados e eventos climáticos extremos tem ampliado a insegurança alimentar em diferentes países africanos.

David Laborde citou os conflitos no Sudão e na República Democrática do Congo como exemplos de situações que impedem milhares de pessoas de acessar suas terras e garantir meios de subsistência.

Em maio, a ONU alertou que cerca de 20 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda em razão da guerra no Sudão. No mês seguinte, a organização também advertiu que uma ampliação do conflito no Oriente Médio pode empurrar milhões de pessoas para a fome.

O relatório ainda observa que o aumento dos custos de energia e fertilizantes provocado pelos conflitos internacionais ainda produz impactos limitados sobre a segurança alimentar global, mas ressalta que a crise permanece em curso e exige acompanhamento contínuo.

Leia mais: Entidades denunciam à ONU o uso da fome como punição em presídios

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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