O governo do Sudão acusou, nesta segunda-feira (4), os Emirados Árabes Unidos (EAU) de contratar mercenários colombianos para lutar ao lado das Forças de Apoio Rápido (RSF) contra o exército sudanês. Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores do país africano afirmou possuir documentos e provas que comprovam o recrutamento de combatentes da Colômbia e de países vizinhos, patrocinados e financiados pelos EAU.
Desde abril de 2023, o conflito entre o exército sudanês e a RSF provocou dezenas de milhares de mortes e desencadeou a maior crise mundial de fome e deslocamento forçado. Acusações de ingerência externa têm sido recorrentes, com destaque para o apoio logístico e financeiro de Abu Dhabi às forças paramilitares da RSF, apesar das negações formais dos Emirados.
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Relatos sobre a presença de mercenários colombianos começaram a surgir no final de 2024, na região de Darfur. Nesta semana, as Forças Conjuntas — coalizão de grupos armados de Darfur alinhados ao exército sudanês — informaram que mais de 80 mercenários colombianos estavam combatendo ao lado da RSF na cidade de El-Fasher, capital do estado de Darfur do Norte.
Segundo a coalizão, vários desses mercenários participavam de operações com drones e na coordenação de artilharia. Alguns foram mortos durante a mais recente tentativa da RSF de capturar El-Fasher, cidade cercada há mais de um ano e última fortaleza do exército em Darfur sob seu controle.
No domingo, o exército sudanês divulgou imagens que, segundo a corporação, mostram mercenários estrangeiros identificados como colombianos. A veracidade dos vídeos não foi confirmada de forma independente.
Sudão leva denúncias ao Conselho de Segurança da ONU
O governo sudanês declarou ter encaminhado anteriormente ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) provas da presença de combatentes estrangeiros no conflito, acusando os Emirados Árabes Unidos de transformar a guerra em Darfur em um “conflito terrorista transfronteiriço por procuração”.
Em relatório recente, especialistas das Nações Unidas, responsáveis por monitorar o embargo de armas imposto a Darfur, consideraram críveis as denúncias sobre a atuação de mercenários colombianos a serviço da RSF.
Segundo a Agence France-Presse, nos últimos anos, ex-soldados e ex-guerrilheiros colombianos, com experiência acumulada em mais de meio século de guerra interna, têm sido recrutados para atuar em conflitos internacionais, incluindo Ucrânia, Haiti e Afeganistão.
Os Emirados Árabes Unidos já haviam contratado mercenários colombianos anteriormente, para combates contra os rebeldes houthis no Iêmen e para a proteção de infraestruturas estratégicas, como oleodutos, em seu próprio território.
Em dezembro, o governo sudanês afirmou que o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia havia manifestado pesar pela participação de cidadãos colombianos no conflito.