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União Africana rejeita reconhecimento de governo paralelo no Sudão e alerta para risco à paz

Bloco continental condena tentativa de divisão institucional promovida pelas Forças de Apoio Rápido e reafirma apoio ao governo reconhecido internacionalmente
As pessoas levantam bandeiras nacionais durante uma manifestação chamada pelo Movimento Popular de Libertação do Sudão, no Porto Sudão, em 24 de abril de 2025.

As pessoas levantam bandeiras nacionais durante uma manifestação chamada pelo Movimento Popular de Libertação do Sudão, no Porto Sudão, em 24 de abril de 2025.

— Reprodução/AFP

30 de julho de 2025

A União Africana (UA) declarou, nesta quarta-feira (30), que não reconhece a formação de um governo paralelo pelas Forças de Apoio Rápido (RSF) no Sudão. A medida foi apresentada como resposta direta à nomeação de um novo primeiro-ministro e à criação de um conselho presidencial por parte do grupo armado, em meio à guerra civil que já dura dois anos.

O Conselho de Paz e Segurança da UA aconselhou todos os Estados-membros e a comunidade internacional a rejeitarem o que classificou como “fragmentação do Sudão”, alertando para as consequências negativas sobre os esforços de paz e o futuro do país.

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O Sudão se encontra dividido entre áreas controladas pelo Exército – incluindo o norte, leste, centro e a capital Cartum – e territórios sob domínio da RSF, como Darfur e partes de Kordofan. A retomada da capital pelo Exército ocorreu recentemente. Segundo organizações locais de direitos humanos, centenas de pessoas foram mortas nos últimos ataques.

A guerra teve início em abril de 2023, após a escalada de tensões entre o general Abdel Fattah al-Burhan, chefe das Forças Armadas, e Mohamed Hamdan Dagalo, líder da RSF. Ambos foram aliados na derrubada do ditador Omar al-Bashir em 2019 e no golpe de 2021 que suspendeu a transição para o governo civil.

Em maio deste ano, foi formado o atual governo reconhecido internacionalmente, liderado por Kamil Idris, ex-oficial da Organização das Nações Unidas (ONU). No último sábado, a RSF respondeu com o anúncio de sua própria administração, intitulada “governo de paz e unidade”, sob a liderança de Mohamed Hassan al-Ta’ayshi como primeiro-ministro.

Interferência externa e riscos diplomáticos

A União Africana também condenou todas as formas de interferência externa, apontadas como combustível para o agravamento da guerra no Sudão. A ONU já havia emitido alertas semelhantes, inclusive sobre denúncias envolvendo o envio de armas à RSF.

Os Emirados Árabes Unidos têm sido acusados de fornecer armamento ao grupo, em violação ao embargo da ONU sobre a região de Darfur. Abu Dhabi, no entanto, nega as acusações, apesar de relatórios de especialistas da ONU, diplomatas, políticos norte-americanos e outras organizações internacionais.


Desde o início do conflito, dezenas de milhares de pessoas morreram. O país vive atualmente a maior crise global de fome e deslocamento. Representantes da ONU alertam que a criação de um governo paralelo pode intensificar a fragmentação do Sudão e dificultar ainda mais os esforços diplomáticos em curso.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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