Mais de mil pessoas morreram no domingo (31) após um deslizamento de terra que destruiu a aldeia de Tarasin, em Jebel Marra, região montanhosa localizada no estado de Darfur do Norte, no Sudão. De acordo com o Movimento de Libertação do Sudão (MLS), apenas uma pessoa sobreviveu à catástrofe.
O desastre ocorreu após dias de fortes chuvas que provocaram o deslizamento de encostas e o soterramento de casas inteiras. Fotos e relatos de moradores mostram a devastação completa da aldeia, com árvores arrancadas, terrenos alagados e estruturas reduzidas a escombros. Segundo a Agence France-Presse (AFP), voluntários ainda tentam retirar corpos debaixo da lama, mas a dimensão da tragédia supera os recursos disponíveis.
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As dificuldades no resgate estão diretamente ligadas à guerra civil que atinge o Sudão desde abril de 2023. O país vive um conflito entre o Exército, liderado pelo general Abdel Fatah al Burhan, e as Forças de Apoio Rápido (FAR), comandadas por Mohamed Hamdan Daglo, conhecido como “Hemedti”.
A região de Darfur é uma das mais afetadas pela violência, com relatos de massacres, ataques a comunidades civis e deslocamentos forçados. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o Sudão registra atualmente cerca de 10 milhões de deslocados internos e 4 milhões de refugiados em países vizinhos. O governador de Darfur, Minni Minnawi, aliado do Exército, classificou o episódio como um desastre humanitário que “excede fronteiras” e apelou à comunidade internacional por ajuda imediata.
União Africana pede cessar-fogo
Diante da dimensão da tragédia, a União Africana (UA) divulgou nota oficial em que manifesta “profunda compaixão” pelo povo sudanês. O presidente da Comissão da UA, Mahmoud Ali Youssouf, pediu solidariedade internacional e cobrou o “silêncio das armas” no país, como condição para permitir que a ajuda humanitária chegue às comunidades afetadas.
Segundo Youssouf, os múltiplos desafios enfrentados pelo Sudão — incluindo guerra, fome e instabilidade política — agravam os impactos de desastres naturais como o ocorrido em Jebel Marra. O dirigente ressaltou ainda que, enquanto persistirem os confrontos, a população permanecerá vulnerável a tragédias semelhantes, sem capacidade de resposta adequada.