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Crise no Sudão do Sul pode se espalhar para países vizinhos, alerta ONU

Relatório aponta agravamento da insegurança alimentar, aumento da violência política e risco de colapso do acordo de paz
Esta foto de satélite obtida em 11 de agosto do Planet Labs PBC e datada de 10 de agosto de 2025 mostra uma vista do aeroporto em Nyala, capital do estado de Darfur do Sul, região de fronteira do Sudão do Sul.

Esta foto de satélite obtida em 11 de agosto do Planet Labs PBC e datada de 10 de agosto de 2025 mostra uma vista do aeroporto em Nyala, capital do estado de Darfur do Sul, região de fronteira do Sudão do Sul.

— 2025 Planet Labs PBC/AFP

19 de agosto de 2025

A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou em comunicado na segunda-feira (18) que a instabilidade no Sudão do Sul pode ultrapassar fronteiras e afetar países vizinhos. O alerta foi feito pela secretária-geral assistente para a África, Martha Pobee, ao Conselho de Segurança, que destacou a combinação entre operações militares, tensões étnicas e conflitos comunitários como um fator de risco para a escalada da violência.

Segundo a ONU, cerca de 7,7 milhões de pessoas, em uma população de 12 milhões, enfrentaram altos níveis de insegurança alimentar entre abril e julho. Além disso, 83 mil habitantes do país estão sob risco de enfrentar condições classificadas como “catastróficas”.

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O Sudão do Sul registra aumento de confrontos políticos e étnicos ao mesmo tempo em que tenta se recuperar da guerra civil entre 2013 e 2018, que deixou 400 mil mortos e 4 milhões de deslocados. No mês passado, confrontos entre as Forças de Defesa do Povo de Uganda (UPDF) e tropas sul-sudanesas na região de Equatória Central resultaram em seis mortes.

Uganda mantém longa relação de apoio militar ao presidente Salva Kiir e, desde março, mantém forças especiais no país. A ONU avalia que esses episódios podem intensificar disputas locais e transformar o conflito em um cenário mais complexo, envolvendo atores regionais.

Acordo de paz em risco

Para o International Crisis Group, o acordo de paz de 2018, que encerrou a guerra civil, está em colapso. O diretor do programa para a África, Murithi Mutiga, destacou que o pacto foi rompido em março, quando o presidente Salva Kiir colocou o então vice-presidente Riek Machar em prisão domiciliar.

A medida enfraqueceu o processo de reconciliação previsto no acordo, que determinava a cooperação política entre as duas lideranças.

As autoridades sul-sudanesas afirmam que pretendem realizar eleições até dezembro de 2026. Contudo, especialistas apontam que as condições atuais não permitem a realização de um pleito confiável.


Martha Pobee enfatizou que a liderança política do país precisa “agir de boa-fé, retomar a implementação do Acordo e preparar o terreno para eleições pacíficas e credíveis em dezembro de 2026”. Ela alertou que, caso contrário, cresce o risco de o país mergulhar em nova onda de violência generalizada, em meio a uma região já marcada por instabilidade.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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