A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou em comunicado na segunda-feira (18) que a instabilidade no Sudão do Sul pode ultrapassar fronteiras e afetar países vizinhos. O alerta foi feito pela secretária-geral assistente para a África, Martha Pobee, ao Conselho de Segurança, que destacou a combinação entre operações militares, tensões étnicas e conflitos comunitários como um fator de risco para a escalada da violência.
Segundo a ONU, cerca de 7,7 milhões de pessoas, em uma população de 12 milhões, enfrentaram altos níveis de insegurança alimentar entre abril e julho. Além disso, 83 mil habitantes do país estão sob risco de enfrentar condições classificadas como “catastróficas”.
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O Sudão do Sul registra aumento de confrontos políticos e étnicos ao mesmo tempo em que tenta se recuperar da guerra civil entre 2013 e 2018, que deixou 400 mil mortos e 4 milhões de deslocados. No mês passado, confrontos entre as Forças de Defesa do Povo de Uganda (UPDF) e tropas sul-sudanesas na região de Equatória Central resultaram em seis mortes.
Uganda mantém longa relação de apoio militar ao presidente Salva Kiir e, desde março, mantém forças especiais no país. A ONU avalia que esses episódios podem intensificar disputas locais e transformar o conflito em um cenário mais complexo, envolvendo atores regionais.
Acordo de paz em risco
Para o International Crisis Group, o acordo de paz de 2018, que encerrou a guerra civil, está em colapso. O diretor do programa para a África, Murithi Mutiga, destacou que o pacto foi rompido em março, quando o presidente Salva Kiir colocou o então vice-presidente Riek Machar em prisão domiciliar.
A medida enfraqueceu o processo de reconciliação previsto no acordo, que determinava a cooperação política entre as duas lideranças.
As autoridades sul-sudanesas afirmam que pretendem realizar eleições até dezembro de 2026. Contudo, especialistas apontam que as condições atuais não permitem a realização de um pleito confiável.
Martha Pobee enfatizou que a liderança política do país precisa “agir de boa-fé, retomar a implementação do Acordo e preparar o terreno para eleições pacíficas e credíveis em dezembro de 2026”. Ela alertou que, caso contrário, cresce o risco de o país mergulhar em nova onda de violência generalizada, em meio a uma região já marcada por instabilidade.