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‘Ó Paí Ó 2’ chega aos cinemas após 15 anos: ‘Parece que não houve hiato’

Longa-metragem dirigido por Viviane Ferreira chega aos cinemas em 23 de novembro; Alma Preta conversou com elenco
Imagem mostra parte do elenco de Ó Paí Ó reunido durante as gravações.

Foto: Divulgação

16 de novembro de 2023

Patrimônio do cinema brasileiro, a sequência de Ó Paí Ó chegará aos cinemas no dia 23 de novembro. O longa-metragem dirigido por Viviane Ferreira foi gravado no Centro Histórico de Salvador, para onde somos transportados para matar a saudade de Lázaro Ramos no papel de Roque e outros personagens marcantes do filme de 2007.

Na nova trama, o bairro se prepara para participar da festa de Iemanjá, enquanto lida com alguns conflitos que estão tirando a paz dos moradores do cortiço da dona Joana, no Pelourinho.

Em entrevista coletiva realizada na segunda-feira (13), o elenco se juntou para divulgar o filme que transmite, acima de tudo, uma mensagem de união. Após 15 anos que separam o primeiro filme da obra atual, Lázaro Ramos contou aos jornalistas como foi retornar ao Pelourinho. 

“Eu estou mais velho, não tenho mais joelho. As cenas de dança eu não consegui fazer como antes”, brincou o ator. “[Ó Paí, Ó 2] é muito alegre. Foi o público que não deixou esse filme morrer. Essa obra teve o poder de continuar na vida das pessoas. Foi muito bom voltar e viver as relações que o personagem construiu”, compartilha. 

Dira Paes também comentou sobre a experiência durante a coletiva virtual. “É um dos filmes que eu fiz que eu mais sou lembrada nas ruas há 15 anos e isso é lindo. Parece que não houve hiato”, disse.

Cássia Valle, intérprete da Mãe Raimunda, compartilha que a unidade presente nas telas foi construída durante anos nos bastidores do Bando do Teatro Olodum, grupo responsável por recriar em cena o cotidiano de lutas e alegrias vivenciadas no longa.

“Uma das coisas mais importantes da volta desse filme é mostrar a força que temos juntos, a força do que podemos realizar juntos. O grande recado que fica, é que mesmo com todas as dificuldades, a força está no coletivo”, diz a atriz, diretora e psicopedagoga.

Os 33 anos de Bando de Teatro Olodum

Em entrevista exclusiva à Alma Preta, Lázaro Ramos fez questão de compartilhar sua experiência ao iniciar no Bando do Teatro Olodum, quando o ator tinha 15 anos, para expressar a coletividade presente no roteiro e bastidores.

O bando nasceu em 1990 para debater os problemas presentes na sociedade e hoje se consagra como o grupo de teatro com maior tempo de atividades ininterruptas da América Latina.

“Eu vi as atrizes e os atores do bando se aquecendo, meus primeiros ídolos, trabalhando juntos, potentes, encontrando soluções de vida e essa imagem, para mim, é muito forte. Isso é o que o bando representa e acaba que o ‘Ó Paí Ó’ também representa isso”, ressalta o ator e cineasta, que também assina a produção da comédia musical.

“‘Ó Paí Ó’ para mim tem uma grande riqueza de linguagem também, uma linguagem onde todo mundo é autor, essas atrizes e atores são tão inteligentes e talentosos que ajudam a contar essa história há tantos anos”, diz ao celebrar a existência de 33 anos do grupo. “Essa é uma coisa linda para a gente comemorar, é um dos grupos de teatro com a maior longevidade da América Latina. Esse é o bando.”

Para o ator, o filme também aborda toda a potência que o povo negro possui de “se reinventar, ser solidário e inventar estratégias que inclusive superam diferenças”. 

“O filme começa com todo mundo separado, desestruturado, com os seus desejos individuais e as suas diferenças, e acabam, no final das contas, encontrando o caminho do aquilombamento”, afirma.

Valdinéia Soriano, que na obra dá vida a personagem Maria, esposa de Reginaldo (Érico Brás), pontua que o ato de se aquilombar sempre esteve presente na história do Bando de Teatro Olodum. “Esse fortalecimento que o Bando traz para mim enquanto mulher preta e atriz é importantíssimo e quando a gente entra em cena, o fortalecimento desse coletivo é imediato”, diz.

“Eu sempre digo: eu não seria essa mulher preta que eu sou, com essa consciência racial, se não fosse o Bando de Teatro Olodum. É isso que a gente quer para o Brasil, que esse aquilombamento chegue para a galera mais nova. É necessário que a gente tenha essa consciência racial para pisar nos lugares. Quando a gente vai para a cena a gente não pensa imediatamente nisso, mas é tão comum, é tão nosso, que transborda”, conclui.

Contribuição da música preta baiana para o Brasil

Além de uma nova geração de personagens, ‘Ó Paí Ó 2’ tem participações especiais dos atores Luis Miranda, Clara Buarque e Ricardo Oshiro, e representantes da música baiana de diferentes gerações, como Russo Passapusso, Margareth Menezes e a cantora Alana Sarah, conhecida como A Dama do Pagode.

Lázaro também partilhou sua emoção de contracenar com alguns de seus ídolos que fizeram história na indústria musical. “Acho que o filme fala disso também, dessa conexão entre gerações, seja entre os personagens e seus filhos, mas também porque nós fazemos algumas homenagens”, explica.

“A Dama traz uma nova narrativa para a música popular feita do ponto de vista dessa mulher ousada; Tiganá Santana representa outra vertente da música baiana; Pierre Onassis (ex-Olodum), é muito amado pelo Brasil; e Guiguio Shewell (ex-Ilê Aiyê), possui um simbolismo fortíssimo. Na cena com Guiguio eu realmente me emocionei. A voz embarga, é Lázaro com a voz embargada, pelo tanto que eu sei o que Guiguio significa para o nosso povo e para a nossa música”, completa. 

“Foi ali que entendi mais ainda a importância de fazer uma homenagem como essa. É muito curioso porque o Roque foi muito explorado na série. A gente ainda tem muita coisa para contar sobre o que a música preta baiana está contribuindo dentro do nosso país e o filme fala sobre isso também”, conclui o ator.

  • Mariane Barbosa

    Curiosa por vocação, é movida pela paixão por música, fotografia e diferentes culturas. Já trabalhou com esporte, tecnologia e América Latina, tema em que descobriu o poder da comunicação como ferramenta de defesa dos direitos humanos, princípio que leva em seu jornalismo antirracista e LGBTQIA+.

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