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Peça teatral aborda violência contra juventude negra a partir da perspectiva de Luiza Mahin

Montagem aborda a questão do extermínio da juventude negra no país, entrelaçando relatos da personagem ancestral Luiza Mahin a de outras mulheres negras
Imagem mostra duas atrizes negras em cena no espetáculo sobre Luiza Mahin.

Foto: Valmir Ferreira/Divulgação

7 de julho de 2024

 O espetáculo “Luiza Mahin… eu ainda continuo aqui”, da companhia carioca Quintal das Artes Cultura e Entretenimento, chega ao Sesc Pinheiros, em São Paulo (SP), para curta temporada. A montagem estreia para o público paulistano na sexta-feira (12) seguindo com as apresentações no sábado e domingo.

A peça teatral é uma tragédia contemporânea que traz o relato de várias mães acerca do extermínio da juventude negra no país, bem como o desaparecimento destes jovens oriundos de comunidades e periferias.

Em cena, mulheres negras contemporâneas, vítimas do extermínio de seus filhos e do feminicídio traz à tona o massacre de jovens das periferias e joga luz sobre essa  separação cíclica que acomete as populações negras há séculos, desde a travessia do Atlântico, nas diásporas.

A peça promove um cruzamento entre os relatos destas mães com a personagem Luiza Mahin, nascida no início do século XIX, mãe do advogado abolicionista e jornalista Luiz Gama (1830-1882), vendido como escravo pelo próprio pai.

Mahin surge como uma voz ancestral que, conhecendo a dor da perda de um filho, vem para acalentar estas mulheres. Com sua existência até hoje posta em dúvida, Luiza Mahin, que ficou conhecida como revolucionária na Revolta dos Malês, representa para a comunidade negra o ideário de uma ancestral guerreira, símbolo de força e inspiração para as mulheres negras.

O espetáculo, de forte cunho emocional, tem trilha sonora original cantada ao vivo pelas atrizes. A percussão com os tambores reforça o lamento ancestral da mãe África, através da forte presença da experiente percussionista Regina Café. O figurino e suas cores vibrantes enaltecem ainda a qualidade artística do espetáculo reforçando o universo da tragédia e as subjetividades de cada uma destas mães, bem como o desenho de luz sombreada que enfatiza o clima entre o passado e o presente.  

A companhia carioca carrega no canto, na música e nas palavras essas vivências ancestrais que se encontram no mesmo destino trágico. Conectam o relato de Mahin ao lamento de mães cujos filhos foram vítimas do genocídio em curso no país e clamam pelo fim da violência policial e patriarcal. Erguem a voz em apelo, súplica e luta.

Para Cyda  Moreno, idealizadora e produtora, a chegada da peça à capital paulista reafirma o local como um grande palco para espetáculos que tratam da temática. “Hoje podemos dizer que já temos um público que quer e precisa se ver representado. Conseguimos depois de muita luta realizar uma formação de plateia de negros, afrodescendentes e um público em geral interessado na luta antirracista”, destaca.

Serviço

Peça “Luiza Mahin…eu ainda continuo aqui”

Quando: De 12 a 14  de julho, sexta e sábado, às 21h, e domingo, às 18h

Local: Sesc Pinheiros – Rua Paes Leme, 195, São Paulo (SP)

Classificação: 14 anos

Duração: 90 minutos  

Ingressos: R$ 50 (inteira); R$ 25 (meia) e R$ 15 (credencial plena) 

  • Redação

    A Alma Preta é uma agência de notícias e comunicação especializada na temática étnico-racial no Brasil.

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