PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Estudantes do RN desenvolvem pesqueiro sustentável e se destacam em Harvard

Estudantes do Rio Grande do Norte criam alternativa ecológica para pesca de lagosta e ganham destaque na Brazil Conference, evento ocorrido nos EUA
Projeto de pesqueiro sustentável para pesca da lagosta é premiado na Brazil Confrence.

Projeto de pesqueiro sustentável para pesca da lagosta é premiado na Brazil Confrence.

— Divulgação

11 de abril de 2026


Boston (EUA) — O sentimento de quem participa da Brazil Conference é de inspiração. O evento reúne conhecimento, tecnologia e soluções inovadoras que revelam o potencial de jovens brasileiros. Entre os destaques da edição, está o projeto premiado por propor uma alternativa ecológica para a pesca da lagosta na Comunidade de Praia do Rosado. 

Posteriormente a celebração, em entrevista à Alma Preta, o professor, pesquisador e orientador cientifico Dalison Vitor explica que o projeto surge a partir da provocação comum à pesquisa: resolver um problema social com impacto direto.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

De acordo com ele, a ideia é apresentada em uma feira de ciências, quando os estudantes propõe utilizar a madeira de uma árvore exótica, chamada algarroba, para criar um pesqueiro sustentável voltado à captura de lagosta.

Assim como o professor, o morador e agora estudante de Ciências Contábeis, Gabriel Melo, destaca como o projeto reflete sua própria vivência. Ou seja, ele revela que crescer em um contexto onde a pesca do animal garante a subsistência familiar, o fez perceber a urgência de uma solução sustentável.

“Se não tivesse uma solução sustentável, a pesca poderia acabar. E eu pensei: por que não ser protagonista dessa mudança?”, afirma.

Alternativa ecológica para a pesca da lagosta alia inovação, meio ambiente e economia circular

A partir da ideia inicial, o grupo desenvolveu pesquisas e testes para comprovar a viabilidade do projeto. Com isso, revelou- se que pesqueiro resolve dois problemas ambientais: substitui materiais poluentes utilizados na pesca tradicional e contribui para o controle de espécies invasoras.

Um dos pilares dessa dinâmica é a estrutura 100% biodegradável, incluindo os pinos de fixação, que possuem durabilidade entre seis e dez meses. Após esse período, o material se decompõe naturalmente no mar, podendo servir como base para a formação de recifes de corais.

Além do impacto ambiental, o projeto fortalece a economia circular e dialoga com quatro Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Isto significa promove uma pesca da lagosta mais limpa, consciente e sustentável.

Leia mais: Em evento nos EUA, presidente da COP30 defende sociedade civil nas negociações climáticas

Jovens de escola pública mostram o potencial da educação brasileira

Nesse sentido, a trajetória dos estudantes reforça o papel da educação pública na produção de conhecimento e tecnologia. O projeto foi desenvolvido dentro da escola sem estrutura laboratorial avançada, o que evidencia a criatividade e o protagonismo dos alunos.

Além disso, a experiência impacta diretamente a formação dos envolvidos. Gabriel, atualmente estudante de Ciências Contábeis, pretende aplicar seus conhecimentos nas comunidades costeiras:

“Quero levar a contabilidade para essas comunidades. Muitos pescadores não têm controle financeiro, e isso pode transformar a realidade deles.”

Estudante destaca impacto social e ambiental de iniciativa ecológica para a pesca da lagosta

A experiência de participar de um projeto com impacto direto na própria comunidade ganhou um significado ainda mais profundo para Gabriele, que acompanha de perto os desdobramentos da iniciativa ao lado do irmão.

Ela vê no trabalho desenvolvido não apenas uma oportunidade acadêmica, mas também uma forma de fortalecer a realidade em que está inserida.

“É uma sensação incrível poder estar juntamente com meu irmão Gabriel desenvolvendo um projeto que tem um impacto social e ambiental muito importante”, afirma em entrevista à Alma Preta.

Para ela, o reconhecimento que o projeto vem conquistando amplia ainda mais esse sentimento, especialmente ao alcançar espaços como a Brazil Conference. A estudante, que está no segundo ano do ensino médio, projeta o futuro a partir dessa vivência: “Estar aqui apresentando o nosso projeto está sendo incrível.”

Leia mais: Podpah discute novas narrativas na Brazil Conference

Brazil Conference valoriza ciência e inovação de jovens brasileiros

O projeto foi reconhecido dentro do programa Diálogos, iniciativa da Brazil Conference que capacita estudantes do ensino médio público a desenvolver soluções para desafios do país.

Em 2026, o programa reuniu 242 equipes e mais de 600 estudantes de escolas públicas, com cinco projetos finalistas.

Com o tema “O Futuro do Brasil: Transformando Desafios em Progresso”, a 12ª edição da Brazil Conference reúne mais de mil participantes e cerca de 50 palestrantes nos campi de Harvard e MIT, nos Estados Unidos.

Organizado por estudantes brasileiros, o evento se consolidou como uma plataforma internacional de valorização da ciência, inovação e impacto social.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Victor Oliveira

    Jornalista formado pela Unesp e pós-graduando em Jornalismo Digital. Atualmente é Gerente de Projetos da Alma Preta Jornalismo.

  • Elaine Silva

    Possui formação em Administração de empresas e Gestão Financeira na UNIESP e Anhembi Morumbi, é responsável pela análise, gestão, controle contábil, planejamento estratégico de negócios, desenvolvimento institucional e captação de recursos para organizações e empresas. Fundadora da Black Adnetwork, Sócia Diretora da Alma Preta Jornalismo, Cofundadora do Instituto Fala, Conselheira Titular do Conselho Nacional Pela Igualdade Racial (CNPIR), Conselheira Consultiva nas organizações Tornavoz, Alafia, Sleeping Giants e DiversaCom. Diretora financeira nas empresas: Instituto Matizes, Diver.ssa e Nós Mulheres da Periferia.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano