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Em evento nos EUA, presidente da COP30 defende sociedade civil nas negociações climáticas 

Durante a Brazil Conference, o diplomata destacou as principais dimensões do trabalho desenvolvido no Brasil
O diplomata brasileiro André Corrêa Lago, presidente da COP30, durante participação no Brazil Conference, em Boston, nos EUA, em março de 2026.

O diplomata brasileiro André Corrêa Lago, presidente da COP30, durante participação no Brazil Conference, em Boston, nos EUA, em março de 2026.

— Divulgação/Brazil Conference

1 de abril de 2026

Boston, EUA Nos corredores da Brazil Conference, após a mesa de Clima, Território e Sustentabilidade, o tema era o mesmo: o presidente da COP30 realmente estava presente. André Corrêa Lago participou do painel que antecedeu a sessão oficial e conversou com a Alma Preta sobre participação da sociedade civil, resultados programáticos e o Road Map brasileiro.

Mesmo após o fim da conferência ocorrida em Belém (PA), o seu legado continua sendo amplamente discutido. Depois de quatro meses, os encaminhamentos já a intitulam a Conferência da Implementação, destacando quatro dimensões centrais do trabalho brasileiro.

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Participação da sociedade civil é marca da COP30

Apesar de ser um espaço voltado para os estados, a participação dos povos indígenas, movimentos sociais e a população negra é um dos marcos da edição brasileira. De acordo com Lago, a COP30 permitiu que a sociedade brasileira tenha se dado conta do papel do país em relação às agendas internacional e nacional. 

Dessa forma, ele destaca o trabalho de integração com a sociedade cívil antes da Conferência. “O Brasil, antes de uma COP, convoca os vários ministérios e a sociedade civil para saber o que eles têm em comum enquanto posição”. 

Contudo, o diplomata ressalta que a participação das minorias nessa agenda não foi uma conquista fácil por parte deles. 

“A participação de povos indígenas e afro-brasileiros é fruto de muita insistência. Como a estrutura dela prioriza os Estados, é preciso pressionar continuamente para ampliar esse espaço, ainda mais em um contexto em que discutir esses temas no cenário internacional é tão complexo”, explica.

Leia mais: COP30 no Brasil: 5 acontecimentos que marcaram a conferência do clima

Brasil lidera Road Map para transição energética

O consenso global é essencial para aprovar encaminhamentos na Conferência do Clima. Um exemplo é o Road Map, retomado pela presidência brasileira de forma voluntária para evitar que o debate sobre transição energética e redução de combustíveis fósseis fosse esquecido. 

“Estamos desenvolvendo dois mapas do caminho e um intermediário, incluindo um plano internacional para a transição para longe dos combustíveis fósseis”, explica Lago.

O documento é liderado pelo Brasil, mas países e sociedade civil, integrantes das convenções do clima e de Paris, foram convidados a enviar contribuições até 31 de março. 

A construção conta com ciclos temáticos, como o econômico, o ético e o de povos, liderados respectivamente pelo Ministério da Fazenda, ministra Marina Silva e Sônia Guajajara, garantindo a participação de indígenas, quilombolas e população negra. 

Além disso, conselhos científicos, econômicos, tecnológicos e de adaptação reúnem especialistas, incluindo 28 economistas e cinco vencedores do Prêmio Nobel. 

As metas incluem fim do desmatamento até 2030 e transição energética, enquanto o financiamento climático ganha destaque: em 2026 será apresentado um plano para mobilizar 1,3 trilhão de dólares por ano, com estudo adicional de fontes para 2035. 

Leia mais: Brasil inicia elaboração de plano para reduzir uso de combustíveis fósseis após compromisso na COP30

Equilíbrio global e liderança brasileira na transição climática 

Outra dimensão importante pontuada pelo presidente é o papel do Brasil frente a agenda e o relacionamento com os países. O desafio é equilibrar metas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, garantindo que cada nação avance conforme sua realidade. 

A conferência também fortaleceu o debate sobre as NDCs brasileiras e oportunidades de desenvolvimento sustentável. China e Índia têm papéis estratégicos no cenário global. 

“A China abriu portas para que países em desenvolvimento adotem energia solar mais rápido, com preços competitivos”, afirma Lago. A Índia, por sua vez, precisa reduzir a dependência do petróleo. 

O Brasil avançou na visão da floresta como ativo de desenvolvimento, fortalecendo o TFF, fundo que integra conservação, restauração e créditos de carbono.

O Ministério da Fazenda e o setor privado uniram esforços com União Europeia e China para criar mecanismos regulados de mercado de carbono, projetando recursos e inovação para proteger a Amazônia e avançar na transição climática.

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  • Victor Oliveira

    Jornalista formado pela Unesp e pós-graduando em Jornalismo Digital. Atualmente é Gerente de Projetos da Alma Preta Jornalismo.

  • Elaine Silva

    Possui formação em Administração de empresas e Gestão Financeira na UNIESP e Anhembi Morumbi, é responsável pela análise, gestão, controle contábil, planejamento estratégico de negócios, desenvolvimento institucional e captação de recursos para organizações e empresas. Fundadora da Black Adnetwork, Sócia Diretora da Alma Preta Jornalismo, Cofundadora do Instituto Fala, Conselheira Titular do Conselho Nacional Pela Igualdade Racial (CNPIR), Conselheira Consultiva nas organizações Tornavoz, Alafia, Sleeping Giants e DiversaCom. Diretora financeira nas empresas: Instituto Matizes, Diver.ssa e Nós Mulheres da Periferia.

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