Boston, EUA – Nos corredores da Brazil Conference, após a mesa de Clima, Território e Sustentabilidade, o tema era o mesmo: o presidente da COP30 realmente estava presente. André Corrêa Lago participou do painel que antecedeu a sessão oficial e conversou com a Alma Preta sobre participação da sociedade civil, resultados programáticos e o Road Map brasileiro.
Mesmo após o fim da conferência ocorrida em Belém (PA), o seu legado continua sendo amplamente discutido. Depois de quatro meses, os encaminhamentos já a intitulam a Conferência da Implementação, destacando quatro dimensões centrais do trabalho brasileiro.
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Participação da sociedade civil é marca da COP30
Apesar de ser um espaço voltado para os estados, a participação dos povos indígenas, movimentos sociais e a população negra é um dos marcos da edição brasileira. De acordo com Lago, a COP30 permitiu que a sociedade brasileira tenha se dado conta do papel do país em relação às agendas internacional e nacional.
Dessa forma, ele destaca o trabalho de integração com a sociedade cívil antes da Conferência. “O Brasil, antes de uma COP, convoca os vários ministérios e a sociedade civil para saber o que eles têm em comum enquanto posição”.
Contudo, o diplomata ressalta que a participação das minorias nessa agenda não foi uma conquista fácil por parte deles.
“A participação de povos indígenas e afro-brasileiros é fruto de muita insistência. Como a estrutura dela prioriza os Estados, é preciso pressionar continuamente para ampliar esse espaço, ainda mais em um contexto em que discutir esses temas no cenário internacional é tão complexo”, explica.
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Brasil lidera Road Map para transição energética
O consenso global é essencial para aprovar encaminhamentos na Conferência do Clima. Um exemplo é o Road Map, retomado pela presidência brasileira de forma voluntária para evitar que o debate sobre transição energética e redução de combustíveis fósseis fosse esquecido.
“Estamos desenvolvendo dois mapas do caminho e um intermediário, incluindo um plano internacional para a transição para longe dos combustíveis fósseis”, explica Lago.
O documento é liderado pelo Brasil, mas países e sociedade civil, integrantes das convenções do clima e de Paris, foram convidados a enviar contribuições até 31 de março.
A construção conta com ciclos temáticos, como o econômico, o ético e o de povos, liderados respectivamente pelo Ministério da Fazenda, ministra Marina Silva e Sônia Guajajara, garantindo a participação de indígenas, quilombolas e população negra.
Além disso, conselhos científicos, econômicos, tecnológicos e de adaptação reúnem especialistas, incluindo 28 economistas e cinco vencedores do Prêmio Nobel.
As metas incluem fim do desmatamento até 2030 e transição energética, enquanto o financiamento climático ganha destaque: em 2026 será apresentado um plano para mobilizar 1,3 trilhão de dólares por ano, com estudo adicional de fontes para 2035.
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Equilíbrio global e liderança brasileira na transição climática
Outra dimensão importante pontuada pelo presidente é o papel do Brasil frente a agenda e o relacionamento com os países. O desafio é equilibrar metas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, garantindo que cada nação avance conforme sua realidade.
A conferência também fortaleceu o debate sobre as NDCs brasileiras e oportunidades de desenvolvimento sustentável. China e Índia têm papéis estratégicos no cenário global.
“A China abriu portas para que países em desenvolvimento adotem energia solar mais rápido, com preços competitivos”, afirma Lago. A Índia, por sua vez, precisa reduzir a dependência do petróleo.
O Brasil avançou na visão da floresta como ativo de desenvolvimento, fortalecendo o TFF, fundo que integra conservação, restauração e créditos de carbono.
O Ministério da Fazenda e o setor privado uniram esforços com União Europeia e China para criar mecanismos regulados de mercado de carbono, projetando recursos e inovação para proteger a Amazônia e avançar na transição climática.