O designer quilombola baiano Dih Morais foi um dos grandes destaques da temporada 2025 do FANCY AFRICA, em Maputo, Moçambique, ao apresentar a evolução da coleção “Quilombo Barro Preto”, originalmente desfilada no Brasil Eco Fashion Week 2024. Além de abrir a programação do evento internacional, Dih também concorre ao prêmio de Melhor Designer do Ano, consolidando ainda mais sua trajetória como um dos nomes mais potentes da moda autoral brasileira contemporânea.
A indicação acontece dentro do Fancy Africa Awards, premiação criada para celebrar talentos e conquistas africanas, reconhecendo profissionais e projetos que impulsionam a indústria criativa através da moda, cultura, identidade e inovação.
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A iniciativa também busca incentivar o profissionalismo no setor, fortalecer narrativas afrocentradas e posicionar a África como uma referência global de criatividade e potência cultural.
A votação será realizada de forma digital, permitindo que pessoas de diferentes partes do mundo participem da celebração da criatividade africana. As datas oficiais, os nomeados e os detalhes da cerimônia serão divulgados em breve nas plataformas oficiais do evento.
Em uma edição guiada pelo tema “Ubuntu”, o criativo brasileiro levou para a passarela uma narrativa construída a partir de ancestralidade, pertencimento, resistência e memória coletiva. Mais do que uma coleção de moda, Dih Morais transformou o desfile em um manifesto visual sobre a potência quilombola e a importância de ocupar espaços globais sem abrir mão das origens.
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Para desenvolver as peças, o designer retornou à sua cidade natal, Jequié, na Bahia, onde coordenou diretamente o trabalho de artesãs do Quilombo Barro Preto, território onde nasceu, viveu e onde parte de sua família permanece até hoje. A escolha de produzir localmente também reforça o compromisso do estilista com o fortalecimento econômico e social da comunidade quilombola.
“A coleção existe para além da passarela. Faço questão de colocar o quilombo no centro da narrativa, não como inspiração distante, mas como protagonista da história. Ver uma marca quilombola brasileira abrindo um evento em África carrega um simbolismo muito forte de retorno, reconexão e pertencimento. Mas nunca foi sobre ser o primeiro. É sobre abrir caminhos e mostrar para outros jovens quilombolas e periféricos que eles também podem ocupar esses espaços”, afirma Dih Morais.
As peças apresentadas em Maputo carregam elementos que se tornaram assinatura do designer. A cabaça, material que Dih levou às passarelas de moda pela primeira vez em 2022, aparece novamente em bolsas e estruturas artesanais que transitam entre moda, arte e decoração, reforçando referências à ancestralidade africana diaspórica. Já o crochê, as franjas em algodão, a palha da costa e o linho surgem como símbolos de resistência, religiosidade de matriz africana, manualidade preta e memória social.
“A moda que faço é sobre minhas histórias e vivências. Um dos vestidos da coleção faz referência às ondas de um rio através das franjas aplicadas manualmente, enquanto o crochê tramado como um balaio relembra as vezes em que minha avó saía para pescar durante as cheias para alimentar nossa família. A pesca dela matava nossa fome. Hoje poder contar essa história através da moda é também um ato de permanência e dignidade”, destaca o designer.
A coleção desfilou ao som da cantora moçambicana Delta Acacia, em apresentação ao vivo, ampliando ainda mais o diálogo entre Brasil e África proposto por Dih Morais. Atualmente instalado em um atelier localizado no centro histórico de São Paulo, o designer segue transformando o espaço em um território coletivo de criação e fortalecimento de narrativas negras.
“Aquilombar-se continua sendo um ato de resistência coletiva. Durante muito tempo contaram nossas histórias por nós. Agora queremos narrar nossas próprias vivências com nossas vozes, nossas imagens e nossas memórias”, finaliza Dih Morais.
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