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Ativistas lamentam morte de viajante brasileira na Indonésia e apontam negligência

Jovem negra estava desaparecida há quatro dias. Viajante fazia uma trilha em um vulcão quando caiu de um penhasco
A brasileira Juliana Marins durante o mochilão na Indonésia.

A brasileira Juliana Marins durante o mochilão na Indonésia.

— Reprodução/Rede Social

24 de junho de 2025

Autoridades e ativistas usaram as redes sociais nesta terça-feira (24) para lamentar a morte da publicitária  brasileira Juliana Marins, encontrada hoje sem vida por equipes de resgate na trilha no Monte Rinjani,  localizado na ilha de Lombok, na Indonésia.

A jovem, que ficou desaparecida por quatro dias, fazia uma trilha no vulcão na madrugada de sábado (21), quando caiu da borda da cratera e desde então aguardava resgate. A brasileira estava em viagem pela Ásia desde fevereiro, em um mochilão que incluiu também a Tailândia, o Vietnã e as Filipinas.

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A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, se manifestou após a família de Juliana informar que a viajante foi encontrada, mas não resistiu. “Meus sinceros sentimentos de amor e compaixão”, escreveu a ministra em publicação também em rede social. 

Anielle destacou que a embaixada brasileira em Jacarta atuou para acelerar os trabalhos de busca. “O Brasil todo estava torcendo por ela e acompanhando as notícias do acidente em área íngreme de difícil acesso, perto de um vulcão na Indonésia”, afirmou.

A pesquisadora e ativista Carla Akotirene compartilhou sua indignação diante do caso. A militante apontou que Juliana foi vítima de descaso das autoridades internacionais por ser uma mulher negra e sul-americana.

A situação também comoveu outras  mulheres negras viajantes, como Lorena Cerqueira, que  ressaltou a negligência com mulheres negras em viagens internacionais.

“Negligência – falta de cuidado, de apuro, de atenção. Dialogando com o racismo e a experiência de ser oriunda do Sul global. Quem procura por nós? Quem nos socorre? Quem trata as nossas existências com a devida urgência? Quem enxerga os nossos sonhos também como possíveis e importantes?”, questionou.

Rebecca Aletheia, criadora do coletivo Bitonga Travel, também prestou uma homenagem à jovem e destacou o sentimento que mulheres negras sentem ao viajar e não serem protegidas. 

“Depois dessa tragédia, mulheres — especialmente as pretas — agora carregam mais um medo: o de sofrerem um acidente e não serem salvas”, afirmou.

Governo brasileiro lamentou a perda 

Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores manifestou profundo pesar  pela morte da brasileira. Segundo a pasta, a busca durante os quatro dias foi “dificultada pelas condições meteorológicas, de solo e de visibilidade adversas na região”. 

“A embaixada do Brasil em Jacarta mobilizou as autoridades locais, no mais alto nível, para a tarefa de resgate e vinha acompanhando os trabalhos de busca desde a noite de sexta-feira, quando foi informada da queda no Mount Rinjani”, afirmou.

Ainda em nota, prestou condolências aos familiares. “O governo brasileiro transmite suas condolências aos familiares e amigos da turista brasileira pela imensa perda nesse trágico acidente”., concluiu.

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  • Thayná Santana

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