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Atlas da Violência 2024 revela homicídios ocultos e impacto desproporcional em jovens e negros

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) aponta estimativa de mais de 52 mil homicídios em 2022, superando os números oficiais
Imagem mostra silhuetas de corpos desenhadas ao chão.

Imagem mostra silhuetas de corpos desenhadas ao chão.

— Fernando Frazão/Agência Brasil

18 de junho de 2024

O Brasil registrou oficialmente 46.409 homicídios em 2022, resultando em uma taxa de 21,7 por 100 mil habitantes. No entanto, o Atlas da Violência 2024, divulgado nesta terça-feira (18) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), estima que o número real de homicídios seja de 52.391, quando se consideram as mortes violentas por causa indeterminada (MVCI).

Entre 2012 e 2022, foram notificadas 131.562 mortes violentas sem causa definida, muitas das quais são suspeitas de serem homicídios não registrados. Utilizando um método de aprendizado de máquina, o estudo estimou que 51.726 desses casos foram homicídios ocultos. Assim, o total de homicídios nesse período passaria de 609.697 para 661.423.

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“Para entendermos a magnitude do problema, o número total de homicídios ocultos nesses dez anos foi maior do que todos os homicídios ocorridos no último ano analisado”, explicou Daniel Cerqueira, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e coordenador do Atlas, em publicação do Ipea. Entre 2019 e 2022, foram estimados 24.102 homicídios ocultos no Brasil.

O estudo ressalta discrepâncias entre as estatísticas oficiais e as estimadas, especialmente em São Paulo. Em 2022, a taxa oficial de homicídios era de 6,8 por 100 mil habitantes, mas a estimativa incluindo homicídios ocultos eleva esse número para 12 por 100 mil. Isso reposiciona São Paulo, que deixa de ser a unidade federativa menos violenta e cai para a terceira posição, ultrapassada por Santa Catarina e Distrito Federal.

Entre 2019 e 2022, a taxa de homicídios no país permaneceu estável, com variações regionais: aumento no Nordeste (6,1%) e Sul (1,2%) e redução no Centro-Oeste (14,1%). No período de 2012 a 2022, Distrito Federal (-67,4%), São Paulo (-55,3%) e Goiás (-47,7%) apresentaram as maiores reduções, enquanto Piauí (47,9%), Amapá (15,4%) e Roraima (14,5%) tiveram os maiores aumentos.

Em 2022, a Bahia liderou as taxas de homicídios com 45,1 por 100 mil habitantes, seguida por Amazonas (42,5) e Amapá (40,5). São Paulo (6,8), Santa Catarina (9,1) e Distrito Federal (11,5) registraram as menores taxas.

O atlas destacou a violência de gênero: 48.289 mulheres foram assassinadas entre 2012 e 2022, com 3.806 mortes em 2022. No mesmo ano, 221.240 mulheres sofreram agressões, majoritariamente no âmbito familiar. A violência sexual contra meninas é notória, com negligência prevalecendo entre crianças de 0 a 9 anos (37,9%) e violência sexual aumentando na faixa de dez a 14 anos (49,6%).

A vitimização de jovens e negros também foi apontada pelo estudo. Em 2022, 49,2% dos homicídios envolveram jovens de 15 a 29 anos. Além disso, 76,5% das vítimas de homicídio eram pessoas negras, com uma taxa de 29,7 por 100 mil habitantes, em comparação com 10,8 entre não negros.

O atlas revela ainda que a taxa de homicídios entre povos indígenas foi similar à nacional em 2022 (21,5 por 100 mil habitantes), embora nos anos anteriores a violência letal tenha sido mais intensa entre indígenas.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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