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Ato com embarcações denuncia contradições da COP30 e reforça soluções coletivas dos territórios em Belém

Ato fluvial reúne lideranças, ribeirinhos, quilombolas e camponeses em protesto por justiça climática e preservação dos territórios na Baía do Guajará, em frente à capital paraense
Barco da Barqueata com cartazes em defesa dos territórios e da justiça climática.

Barco da Barqueata com cartazes em defesa dos territórios e da justiça climática.

— Reprodução/Coletivo Apoena Audiovisual

11 de novembro de 2025

Organizações da Cúpula dos Povos realizam, na quarta-feira (12), a “Barqueata da Cúpula”, um ato em defesa da Amazônia e da justiça climática, em evento paralelo à COP30, em Belém (PA). O ato reunirá caravanas vindas de diferentes municípios, estados e países com concentração na Baía do Guajará.

O ato visa denunciar as contradições da COP30 com cartazes que ornamentarão barcos de grande e pequeno porte. Segundo a Cúpula dos Povos, o evento propõe soluções climáticas distantes das populações mais afetadas pelos eventos climáticos extremos e mantém um modelo de exploração dos territórios.

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Com concentração na Universidade Federal do Pará (UFPA), o percurso seguirá margeando o rio Guamá, que depois se transforma no rio Guajará, até chegar à Vila da Barca, área de palafitas.  A expectativa é sair de quatro portos próximos à UFPA e navegar por cerca de duas horas.

Entre os barcos confirmados está a “Caravana da Resposta”, que percorre mais de 3 mil quilômetros entre Sinop (MT) e Belém, reunindo mais de 300 lideranças ribeirinhas, quilombolas e camponesas. Outras caravanas e movimentos sociais também chegarão à cidade para se somar à Barqueata rumo à COP30.

De acordo com a organização, são esperadas mais de 200 embarcações, transportando cerca de 5 mil pessoas.

A mobilização ainda denuncia que a conferência abre espaço para corporações que influenciam as decisões e impedem o avanço de metas mais ambiciosas de redução da exploração de recursos naturais, de mitigação e de reparação de danos nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) — as metas de cada país para reduzir emissões de gases de efeito estufa, conforme estabelecido no Acordo de Paris.

Para o membro da Comissão Política da Cúpula, Lider Gongora, ativista equatoriano e delegado dos Povos do Mangue e do Mar, o ato representa um movimento em defesa dos territórios.

“Não é só um ato, é um manifesto fluvial. As águas da Amazônia estão trazendo as vozes que o mundo precisa ouvir: as de quem defende a vida, os territórios e o clima”, afirma em comunicado à imprensa.

O movimento também chama atenção para a preparação da cidade para a COP30. Segundo a entidade, moradores da Vila da Barca  enfrentam falta de saneamento básico, especulação imobiliária e negligência do poder público. 

A região receberia uma estação de tratamento de esgoto voltada para atender bairros de classe média que passaram por obras de embelezamento para compor a paisagem turística. 

Os impactos relatados pelos movimentos também atingem pescadores e ribeirinhos. Em diversas regiões, essas comunidades sofrem com contaminações causadas pela mineração e vazamentos de produtos químicos, que comprometem os ecossistemas e a sobrevivência local.

A Cúpula dos Povos reforça que as verdadeiras soluções passam pelos povos das águas, das florestas e das periferias, que resistem com práticas coletivas, agroecológicas e ancestrais.

O que é a COP?

A COP, ou Conferência das Partes, é um órgão da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), composta por 197 países. A entidade é o principal espaço deliberativo da ONU para a execução de medidas assumidas pelos países para reverter a crise climática.

O encontro acontece desde 1995 e teve sua primeira edição em Berlim, na Alemanha. Neste ano, a COP chega à sua 30a edição e acontece pela primeira vez no Brasil, em Belém (PA).

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  • Thayná Santana

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