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‘Bloqueou diversas funções’: app de relacionamento voltado à população negra sofre restrições e aciona Meta na Justiça

Advogado da empresa pede reparação por danos causados financeiramente e questiona a restrição da página do aplicativo no Instagram
Ilustração do logo da Meta.

Ilustração do logo da Meta.

— Justin Tallis/AFP

1 de outubro de 2025

O Denga Love, aplicativo de relacionamentos voltado à comunidade negra, protocolou uma ação judicial contra a Meta, após bloqueios e restrições severas no Instagram que prejudicaram o crescimento da página ligada ao aplicativo. O perfil da marca permanece há cinco meses com funcionalidades restringidas.

Segundo a Denga Love, no dia 16 de maio deste ano, a empresa teve o recurso de transmissões ao vivo suspenso, sem aviso prévio. A justificativa da Meta foi a suposta violação dos Padrões da Comunidade, relacionados à “exploração sexual infantil”. A decisão teria sido baseada na análise de uma publicação em formato de story que mostrava crianças em uma dança folclórica regional, usada para divulgar um evento do aplicativo realizado em Recife, com temática ligada à cultura do local. 

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O advogado da empresa, Richard Ramos, em entrevista à Alma Preta contesta a acusação e afirma que a publicação era inofensiva. “A Meta bloqueou a Denga em diversas funcionalidades, supostamente pelo entendimento dos robôs da Meta, por infringir algumas políticas da plataforma. O que não é o caso, porque se tratava de um meme utilizado para divulgar o serviço do aplicativo”, explicou.

Para o CEO da Denga Love, Fillipe Dornellas, a punição foi aplicada de forma desproporcional. “A análise automatizada desconsiderou o contexto cultural do conteúdo”, declarou.

Empresa pede reparação pelos prejuízos causados

O bloqueio resultou no impedimento de realização de transmissões ao vivo por um ano, suspensão de monetização, restrições a anúncios e queda no engajamento da página. A ação judicial busca a liberação das funcionalidades, além de reparação financeira pelos prejuízos causados.

“Estamos pedindo uma indenização pelos lucros cessantes que a Denga deixou de ganhar nesse período de bloqueio, porque as lives traziam novos clientes e  isso com certeza impacta no faturamento da empresa”, disse o advogado.

A Denga Love também aponta perda significativa de seguidores, redução da base de usuários ativos e desgaste reputacional devido à associação feita pela restrição, como outras consequências da punição.

Com a medida, também foi questionada a falta de clareza nos critérios de análise do Instagram. Segundo o CEO da Denga Love, Fillipe Dornelas a Meta  agiu de modo desigual.  “Enquanto falas de ódio e ataques racistas permanecem online, um story inofensivo resultou em restrição de um ano, sem canal de orientação ou diálogo”, afirmou.

Richard Ramos ressalta que o caso da Denga Love se soma a outras decisões semelhantes da Meta. A empresa cita episódios envolvendo o historiador Jones Manoel e o portal “As negas do Ziriguidum”, que também enfrentaram bloqueios que repercutiram negativamente e foram posteriormente revertidos após pressão pública. 

“Vamos buscar justiça. Existem tantos conteúdos na internet que, de fato, são prejudiciais, enquanto eles acabam se apegando a conteúdos que não oferecem riscos e não prejudicam ninguém. Tem que haver uma rigorosidade, mas também haver uma forma de comunicação melhor e direta, porque, se não, acontecem casos como esse”, concluiu.

Tentativas frustradas de resolução motivaram o processo 

Conforme a ação, as tentativas de resolver a questão de maneira extrajudicial foram frustradas. O documento cita que foram enviados mais de quinze interações via e-mail e protocolos oficiais sem que a Meta oferecesse solução efetiva. O advogado questiona que o atendimento foi desorganizado, impossibilitando qualquer revisão transparente do caso.

“O recurso interno é muito complicado dentro da Meta, porque você não consegue falar de fato com ninguém especificamente que possa regularizar a situação”, contou Ramos. “Isso demanda um processo judicial que não teria necessidade se eles tivessem ouvido e entendido o lado da Denga”, acrescentou.

A Alma Preta procurou a Meta e questionou quais os motivos para o bloqueio e restrição da conta, pedindo também um posicionamento sobre o processo. Até a publicação deste texto não houve resposta. O espaço segue aberto. 

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  • Thayná Santana

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