PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Cabelo black e barba devem ser protegidos em tempos de pandemia?

30 de abril de 2020

Saiba quais cuidados precisam ser tomados para não haver contaminação com o novo coronavírus

Texto / Guilherme Soares Dias | Edição / Simone Freire | Imagem / Newman Costa

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

O crescimento das contaminações pelo novo coronavírus trouxe várias mudanças para a nossa rotina: seja o isolamento social, o uso das máscaras, o distanciamento nos locais com aglomerações de pessoas. Mas, afinal, devo prender ou proteger meu cabelo black, tranças ou rasta ao sair na rua? Devo tirar ou diminuir minha barba? O Alma Preta traz as orientações da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) para estes casos.

A necessidade de cortar o cabelo, andar sempre com ele preso ou protegido é mito, segundo a SPD. “Essa é uma orientação válida para os médicos que, geralmente, colocam a mão no cabelo e, após, na máscara. Para a população a medida não possui eficácia. O importante é manter os fios limpos”, informa o site do órgão.

No caso da barba, apesar de alguns famosos terem tirado logo no início do período de isolamento social, o dermatologista Sérgio Palma, presidente da SBD, afirma que é mito a necessidade de ficar com “rosto liso” para se proteger da doença. “Retirar a barba facilita a limpeza e a higiene na região, no entanto, não é preciso raspá-la. O importante é redobrar a limpeza e higiene da pele e pelo da área com água e sabão”, ressalta a SPD.

Mas há profissionais que indicam maior cautela com barbas e cabelos nesse momento de pandemia. “Eles podem ser carregadores do vírus. Pelos de um modo geral, tem a tendência de acumular microorganismo. E quando falando de um cabelo crespo ou cacheado (tipo 3 ou 4) a gente está falando sobre uma superfície mais densa. Então temos cuidados diferenciados sim!”, acredita o dermatologista Fred Nicácio.

De acordo com o especialista, quanto maiores os cabelos crespos, maior a possibilidade de acumular mais micro-organismos. “É preciso usar toucas, turbantes, lenços e afins para visitar lugares de trânsito de pessoas, por mais que não haja aglomeração. Precisamos lembrar que o vírus fica suspenso nas gotículas do ar, e então fica fácil de ser ‘preso’ aos cabelos. Se não tiver proteção, vale a pena lavar os cabelos ao chegar a casa”, orienta. Nicácio lembra ainda que para os profissionais da saúde o uso da touca é obrigatório nos ambientes hospitalares.

Já o New York Times ressaltou em um artigo em que responde dúvidas dos leitores que, embora seja verdade que um espirro ou tosse de uma pessoa infectada possa projetar gotículas virais e partículas pelo ar, a maioria delas cairá ao chão. Estudos mostram que algumas pequenas partículas virais podem flutuar no ar durante cerca de meia hora, mas elas não atacam como vespas e tendem a não colidir com suas roupas, cabelo ou barba.

O doutor Andrew Janowski, instrutor de doenças infecciosas pediátricas na escola de medicina da Universidade de Washington, Hospital Infantil St. Louis, lembrou para a publicação que para haver contaminação a partir de um espirro deve ter uma certa quantidade de vírus.

“Depois deve haver um número de gotículas que pousam em você e teria que tocar aquela parte do seu cabelo, barba ou da roupa onde estão as gotículas – que já tiveram uma redução significativa de partículas virais – e depois tocar qualquer parte do seu rosto para entrar em contato com elas. Isso diminui muito o risco”, frisa.

Como prevenção, a SPD indica intensificar os hábitos de higiene pessoal, “de preferência por meio do uso de água e sabão/sabonete durante o banho e de álcool 70% (em gel ou líquido) para higienizar as mãos, antes e depois de tocar em superfícies possivelmente contaminadas”.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano