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Caminhada pede tombamento de terreiro centenário no Bixiga, em SP

Projeto Caminhar com os Orixás realiza nova edição no sábado (30), percorrendo o território do Quilombo da Saracura em apoio ao tombamento do Ilê Asé Iyá Osun
Região onde fica o Terreiro Ilê Asé Iyá Osun, no Bixiga, em São Paulo.

Região onde fica o Terreiro Ilê Asé Iyá Osun, no Bixiga, em São Paulo.

— Reprodução/Redes sociais

28 de maio de 2026

 O projeto Caminhar com os Orixás realiza neste sábado (30), a partir das 10h, mais uma edição de sua caminhada pelo território do Quilombo da Saracura, no Bixiga, na capital paulista. O percurso parte da Praça 14 Bis, no entorno do Sítio Arqueológico Saracura/Vai-Vai, e chega ao Terreiro Ilê Asé Iyá Osun, casa de candomblé com 45 anos de existência que aguarda decisão do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) sobre seu tombamento.

A edição homenageia Ogum, orixá dos caminhos, e encerra com partilha de feijoada ritual. As inscrições para a nova edição vão até esta sexta-feira (29), com limite de até 30 pessoas por edição. 

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Criado há três anos pela Yalorixá Jennifer de Xangô e pelo antropólogo Michel Françoso, com apoio do Sesc 14 Bis, o projeto existe para ampliar a visibilidade pública do processo de tombamento do terreiro e construir uma rede de apoio à sua permanência no território.

“O projeto nasceu de uma necessidade concreta: dar continuidade ao papel ativo do Ilê no território do Bixiga e fortalecer uma rede de apoio ao tombamento da casa através de uma campanha pública”, explica a Yalorixá.

Em três anos, o projeto acumula mais de 500 participantes, incluindo moradores do bairro, pessoas interessadas no assunto, assim como pesquisadores, educadores e comunicadores.

Leia mais: Novos achados arqueológicos reforçam a possível existência do Quilombo Saracura no Bixiga

História negra do Bixiga

O Bixiga é amplamente associado à imigração italiana, mas a presença negra no bairro antecede essa narrativa. Sob suas ruas corre o córrego Saracura,  subterrâneo desde o processo de urbanização, e junto com ele, a memória do Quilombo da Saracura, território afro-diaspórico que existe desde o século XIX. O trajeto da caminhada acompanha simbolicamente esse córrego, do sítio arqueológico ao terreiro.

O terreiro está localizado no interior do território reconhecido como Quilombo da Saracura. Este Ilê, fundado em fevereiro de 1980, pelo saudoso Babalorixá Francisco de Oxum, é desde então expressão viva da presença e permanência da população negra no centro da cidade.

“A caminhada age diretamente sobre essa lacuna, ela torna visível, a cada edição, que essa raiz existe, tem endereço e está ativa. Percorrer o trajeto do Saracura até o terreiro é percorrer a história e a presença negra que precisa cada vez mais estar em evidência”, afirma Jennifer de Xangô. 

O terreiro Ilê Asé Iyá Osun está inserido em uma das linhagens mais significativas do candomblé paulistano: descende da tradição de Mãe Sílvia de Oxalá, cujo terreiro foi o primeiro tombado em São Paulo e o segundo no Brasil.

O Ilê figura entre as 60 casas de axé documentadas por Reginaldo Prandi em “Os Candomblés de São Paulo” (1991) e integrou o processo de criação da   Pastoral Afro da Paróquia Nossa Senhora Achiropita. Paralelo a isso, também foi responsável pela liderança espiritual da Escola de Samba Vai-Vai por mais de uma década, e até hoje guarda os assentamentos sagrados da escola após a demolição de sua sede.

Em julho de 2025, a Yalorixá Jennifer de Xangô e o antropólogo Michel Françoso protocolaram no Conpresp o pedido formal de tombamento do terreiro. A Yalorixá atua também como autoridade religiosa na identificação e salvaguarda de mais de 110 mil vestígios arqueológicos do Quilombo Saracura, encontrados nas obras da Linha 6-Laranja do Metrô, um dos processos de recuperação de memória afro-diaspórica mais expressivos já registrados na cidade.

Parte da renda gerada pelas caminhadas é revertida diretamente para a manutenção do Ilê, que opera desde 1980 sem financiamento público regular, mantendo calendário litúrgico anual com festas, rituais, batismos e consultas ao jogo de búzios, tudo isso sob crescente pressão imobiliária no centro de São Paulo.

Leia mais: Primeira edição da Revista Encruza valoriza povos de terreiro e comunidades tradicionais

Serviço

Evento: Caminhar com os Orixás: Edição Ogum

Data: Sábado, 30 de maio de 2026

Horário: 10h às 13h

Duração: Aproximadamente 3 horas | Público livre

Vagas: Até 30 pessoas por edição

Ponto de partida: Praça 14 Bis: Sítio Arqueológico Saracura/Vai-Vai, Bixiga

Chegada: Terreiro Ilê Asé Iyá Osun: Rua Almirante Marques de Leão, 284, Bixiga, São Paulo

Inscrições até dia 29, sexta-feira: Valor R$ 150 através do link.

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