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Formação para combater racismo religioso conecta pessoas evangélicas e de terreiro

A formação promove o diálogo e o encontro entre pessoas negras evangélicas e de terreiro, buscando superar hostilidades e construir um futuro mais inclusivo
Duas mulheres, uma com lenço de cabeça vermelho e outra com roupa branca de renda, se abraçam pelas costas em um evento comunitário.

Duas mulheres, uma com lenço de cabeça vermelho e outra com roupa branca de renda, se abraçam pelas costas em um evento comunitário.

— Reprodução/Arquivo/Agêcia Brasil

15 de março de 2026

O Instituto de Estudos da Religião (ISER) está com inscrições abertas para a 2ª edição da formação político-pedagógica “AXÉ-AMÉM: conectando pessoas evangélicas e de terreiro através das experiências de cooperação e fé”. Nesta edição, a formação terá duas turmas, a primeira será para o público geral e a segunda somente para educadores.

Podem se inscrever pessoas negras (pretas e pardas), a partir de 18 anos, que se identifiquem como evangélicas e/ou de terreiro e com disponibilidade para participar presencialmente dos encontros no Rio de Janeiro. No caso da segunda turma é necessário atuar como educador em espaços formais ou não formais de educação. As inscrições podem ser feitas on-line até o dia 22 de março.

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O Axé-Amém será realizado de forma presencial, na sede do ISER, no Centro do Rio de Janeiro. Ao longo de três meses, os encontros irão acontecer quinzenalmente aos sábados, totalizando seis encontros. Durante a formação, serão realizadas aulas públicas, caminhadas pedagógicas e visitas guiadas a igrejas históricas e terreiros da capital fluminense.

A formação promove o diálogo e o encontro entre pessoas negras evangélicas e de terreiro, buscando superar hostilidades e construir um futuro mais inclusivo, onde as diferenças não sejam um entrave frente às possibilidades de cooperação.

A iniciativa parte do reconhecimento de que o racismo religioso afeta de forma direta e cotidiana as populações negras, especialmente nos territórios populares e no espaço educacional, e que o diálogo entre diferentes pertenças religiosas pode produzir respostas concretas de cuidado, proteção e incidência social.

O Axé-Amém propõe criar um espaço de encontro entre pessoas negras evangélicas e de terreiro para refletir sobre essas tensões e construir caminhos de cooperação no enfrentamento ao racismo religioso.

A primeira edição da formação foi realizada em maio de 2025, durante quatro meses, e deu origem ao livro “Axé-Amém: Encruzilhadas da Fé Negra no Brasil”, lançado em dezembro do último ano. O livro foi escrito pelos integrantes da formação e reúne 37 textos com histórias, memórias, dores, ancestralidade e cura a partir de suas vivências.

Turma da primeira edição da formação “Axé-Amém”. (Foto: Divulgação/ISER)

“O livro nasce de um território de confiança e intimidade. Não foi escrito no calor do debate ou no esforço de convencer o outro ou a outra, mas na tessitura cuidadosa de uma experiência formativa que nos convocou a mergulhar em nossas próprias memórias, dores, contradições e potências”, afirma Carolina Rocha, pesquisadora do ISER e uma das facilitadoras da formação.

A pesquisadora também acrescenta que o Axé-Amém é o retrato de como as pessoas vivem sua religião no Brasil, de maneira múltipla, multifacetada e plural.

Adiel Gustavo é um dos autores do livro e integrante da primeira edição do Axé-Amém. Nascido e criado em Nilópolis, Baixada Fluminense, Adiel é membro da Igreja Batista Betânia de Sulacap. Para ele, a formação foi uma travessia de alguém que decidiu sair da bolha, enfrentar seus medos, desconstruir preconceitos e se abrir para o novo.

“O Axé-Amém me ensinou que a cor da nossa pele nos une mais do que qualquer doutrina. Que o racismo nos encontra em qualquer esquina, em qualquer templo, em qualquer altar. E que é preciso estar juntos, ouvir, respeitar, para que possamos construir um caminho de cura e de reconhecimento”, descreve em um dos trechos do livro.

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