Nesta terça-feira (29), a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi presa na capital italiana, Roma, em uma operação de cooperação entre a Polícia Federal, Interpol e agências da Itália.
Essas informações foram confirmadas pelo Ministério da Justiça e pela Polícia Federal, que emitiu uma nota no final da tarde apontando a prisão da congressista.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
Segundo a nota da Polícia Federal, Zambelli era procurada por crimes praticados no Brasil e será extraditada “conforme os trâmites previstos na legislação italiana e nos acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário”.
A Alma Preta questionou os órgãos sobre os prazos para a extradição, mas não recebeu resposta.

Aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Zambelli foi condenada em 14 de maio deste ano no Brasil a dez anos de prisão pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e também por falsidade ideológica.
Ela estava foragida desde o começo de junho, quando teve prisão preventiva determinada no Supremo Tribunal Federal (STF). Diante da iminência da decisão, ela fugiu para os Estados Unidos e depois seguiu para a Itália. Mesmo foragida, ela desafiava a decisão da Justiça nas redes sociais.
Zambelli foi eleita duas vezes para a Câmara, uma em 2018 e outra em 2022. Sua condenação no STF inclui a cassação do mandato, mas a perda do cargo só pode ser decidida pela Câmara dos Deputados, que ainda analisa a questão.
A deputada foi um dos nomes mais conhecidos do bolsonarismo, mas perdeu espaço nas eleições de 2022 quando, na véspera da votação do segundo turno, perseguiu e ameaçou com uma arma de fogo o jornalista Luan Araújo, um homem negro. As imagens da perseguição no bairro dos Jardins, em São Paulo, circularam o país, gerando indignação.
A deputada responde a um processo no STF devido ao episódio da perseguição, que já formou maioria pela condenação com 6 votos a zero. Um pedido de vista do ministro Nunes Marques adiou o fim do julgamento que até agora condena a deputada a cinco anos e três meses de prisão em regime semiaberto.
Em julho de 2024, Zambelli também chamou a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) de “Chica da Silva” durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais. Zambelli foi acusada de racismo à época e a questão foi levada à Procuradoria-Geral da República (PGR).