Jovens lideranças de sete estados do Cerrado brasileiro entregaram, nesta quarta-feira (12), a Carta do 1º Encontro das Juventudes do Cerrado Brasileiro. O documento foi entregue ao secretário-geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA).
A entrega contou com a presença da deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG), que coordena o Grupo de Trabalho do Cerrado na Frente Parlamentar Ambientalista e preside a Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais.
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“O Cerrado é o coração do Brasil. Defender o Cerrado é garantir água, vida e futuro para todo o planeta. E ver a juventude cerratense organizada, mobilizada e com uma agenda política própria é uma esperança concreta de que a transição ecológica que queremos passa também por justiça territorial”, afirmou Dandara Tonantzin em comunicado à imprensa.
Reivindicações por justiça territorial e proteção do bioma
A carta denuncia que o Cerrado vive o período mais intenso de perda ambiental de sua história e continua sem o mesmo nível de proteção legal de outros biomas. O texto destaca que o Cerrado é “o berço das águas brasileiras” e alerta que o bioma não pode seguir sendo tratado como “bioma de sacrifício”, dada sua relevância para o abastecimento hídrico nacional e o equilíbrio climático global.
Entre as principais reivindicações, as juventudes pedem a aprovação da PEC do Cerrado, que reconhece o bioma como patrimônio nacional. Defendem também a regularização fundiária, a proteção das nascentes, o fortalecimento dos órgãos ambientais e de fiscalização, além da ampliação das escolas agrícolas e da assistência técnica voltada às populações locais.
O documento também propõe a valorização dos saberes tradicionais e da ciência indígena, a transição energética justa e políticas de preservação que mantenham o Cerrado em pé. As juventudes demandam ainda a criação de brigadas comunitárias para o combate às queimadas e o enfrentamento das perdas territoriais impostas pelo avanço do agronegócio, da mineração e da contaminação das águas e do solo.
A carta ressalta que a defesa do Cerrado é estratégica no enfrentamento à crise climática global e que as políticas públicas precisam incorporar a diversidade de povos e comunidades tradicionais que historicamente garantem a preservação do bioma.
“Esta carta é a nossa expressão e resistência pelo chão que pisamos. Nossa defesa do Cerrado é imprescindível para o futuro do planeta”, afirmam as juventudes no documento.
Organização e mobilização
A carta é resultado do 1º Encontro das Juventudes do Cerrado, promovido em Brasília entre 11 e 13 de agosto de 2025 pelo Grupo de Trabalho do Cerrado e pelo GT de Juventude da Frente Parlamentar Mista Ambientalista, em parceria com a Rede Cerrado.
O encontro reuniu representantes de comunidades geraizeiras, ribeirinhas, indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco, extrativistas, fecheiros, assentados e agricultores familiares dos estados de Mato Grosso, Tocantins, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia, Maranhão e Goiás.
A carta é assinada por diversas organizações e coletivos, entre eles Agência 10envolvimento, A Vida no Cerrado, Articulação de Juventude Xakriabá, Engajamundo, Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, Rede Cerrado e Rede de Povos e Comunidades Tradicionais do Brasil.
“As juventudes do Cerrado estão dizendo com clareza: não há justiça climática sem justiça territorial. É preciso garantir políticas permanentes de proteção, incluir o Cerrado na Constituição e reconhecer o papel histórico dos povos e comunidades tradicionais na preservação desse bioma”, concluiu Dandara.
O que é a COP?
A COP, ou Conferência das Partes, é um órgão da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), composta por 197 países. A entidade é o principal espaço deliberativo da ONU para a execução de medidas assumidas pelos países para reverter a crise climática.
O encontro acontece desde 1995 e teve sua primeira edição em Berlim, na Alemanha. Neste ano, a COP chega à sua 30ª edição e acontece pela primeira vez no Brasil, em Belém (PA).