PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

COP30: jovens entregam a Boulos carta com demandas para proteger o Cerrado

Documento entregue ao secretário-geral da Presidência pede justiça socioambiental e proteção ao bioma contra agronegócio e mineração
Jovens do Cerrado ao lado de Guilherme Boulos, na COP30, após entrega de carta com demandas por justiça e proteção ambiental do bioma.

Jovens do Cerrado ao lado de Guilherme Boulos, na COP30, após entrega de carta com demandas por justiça e proteção ambiental do bioma.

— Divulgação/Assessoria Dandara Tonantzin

13 de novembro de 2025

Jovens lideranças de sete estados do Cerrado brasileiro entregaram, nesta quarta-feira (12), a Carta do 1º Encontro das Juventudes do Cerrado Brasileiro. O documento foi entregue ao secretário-geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA).

A entrega contou com a presença da deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG), que coordena o Grupo de Trabalho do Cerrado na Frente Parlamentar Ambientalista e preside a Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

“O Cerrado é o coração do Brasil. Defender o Cerrado é garantir água, vida e futuro para todo o planeta. E ver a juventude cerratense organizada, mobilizada e com uma agenda política própria é uma esperança concreta de que a transição ecológica que queremos passa também por justiça territorial”, afirmou Dandara Tonantzin em comunicado à imprensa.

Reivindicações por justiça territorial e proteção do bioma

A carta denuncia que o Cerrado vive o período mais intenso de perda ambiental de sua história e continua sem o mesmo nível de proteção legal de outros biomas. O texto destaca que o Cerrado é “o berço das águas brasileiras” e alerta que o bioma não pode seguir sendo tratado como “bioma de sacrifício”, dada sua relevância para o abastecimento hídrico nacional e o equilíbrio climático global.

Entre as principais reivindicações, as juventudes pedem a aprovação da PEC do Cerrado, que reconhece o bioma como patrimônio nacional. Defendem também a regularização fundiária, a proteção das nascentes, o fortalecimento dos órgãos ambientais e de fiscalização, além da ampliação das escolas agrícolas e da assistência técnica voltada às populações locais.

O documento também propõe a valorização dos saberes tradicionais e da ciência indígena, a transição energética justa e políticas de preservação que mantenham o Cerrado em pé. As juventudes demandam ainda a criação de brigadas comunitárias para o combate às queimadas e o enfrentamento das perdas territoriais impostas pelo avanço do agronegócio, da mineração e da contaminação das águas e do solo.

A carta ressalta que a defesa do Cerrado é estratégica no enfrentamento à crise climática global e que as políticas públicas precisam incorporar a diversidade de povos e comunidades tradicionais que historicamente garantem a preservação do bioma.

“Esta carta é a nossa expressão e resistência pelo chão que pisamos. Nossa defesa do Cerrado é imprescindível para o futuro do planeta”, afirmam as juventudes no documento.

Organização e mobilização

A carta é resultado do 1º Encontro das Juventudes do Cerrado, promovido em Brasília entre 11 e 13 de agosto de 2025 pelo Grupo de Trabalho do Cerrado e pelo GT de Juventude da Frente Parlamentar Mista Ambientalista, em parceria com a Rede Cerrado.

O encontro reuniu representantes de comunidades geraizeiras, ribeirinhas, indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco, extrativistas, fecheiros, assentados e agricultores familiares dos estados de Mato Grosso, Tocantins, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia, Maranhão e Goiás.

A carta é assinada por diversas organizações e coletivos, entre eles Agência 10envolvimento, A Vida no Cerrado, Articulação de Juventude Xakriabá, Engajamundo, Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, Rede Cerrado e Rede de Povos e Comunidades Tradicionais do Brasil.

“As juventudes do Cerrado estão dizendo com clareza: não há justiça climática sem justiça territorial. É preciso garantir políticas permanentes de proteção, incluir o Cerrado na Constituição e reconhecer o papel histórico dos povos e comunidades tradicionais na preservação desse bioma”, concluiu Dandara.

O que é a COP?

A COP, ou Conferência das Partes, é um órgão da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), composta por 197 países. A entidade é o principal espaço deliberativo da ONU para a execução de medidas assumidas pelos países para reverter a crise climática.

O encontro acontece desde 1995 e teve sua primeira edição em Berlim, na Alemanha. Neste ano, a COP chega à sua 30ª edição e acontece pela primeira vez no Brasil, em Belém (PA).

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano