O Flamengo manifestou nesta segunda-feira (27) apoio à iniciativa do Corinthians de combate ao racismo. O clube paulista retirou um assento da Neo Química Arena por tempo indeterminado e colocou em seu lugar um adesivo com a frase “Aqui, o racismo não tem lugar”. A ação inclui um QR code que direciona o público a um conteúdo educativo sobre denúncia de casos de racismo.
A medida ocorre após episódio de injúria racial contra o goleiro Carlos Miguel, do Palmeiras, durante clássico realizado no estádio corintiano. O clube não conseguiu identificar o autor da ofensa. Em resposta, transformou a ausência de identificação em um gesto concreto.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
O Flamengo afirmou que a iniciativa corintiana “dá a um episódio lamentável um significado claro e permanente de que o racismo não tem lugar no futebol e na sociedade”.
Rafael Castilho, diretor Cultural e de Responsabilidade Social do Corinthians, explicou em nota o significado da ação.
“A história do Corinthians é a história do pertencimento e da inclusão. Somos um clube antirracista. Formado em grande parte por homens e mulheres negras. Jamais seremos coniventes e aceitaremos nos nossos espaços, que devem ser democráticos e inclusivos, atitudes que venham de encontro com nosso papel histórico”, disse.
O clube anunciou o fortalecimento dos protocolos de combate ao racismo já existentes na Neo Química Arena. A campanha também disponibilizará QR codes no estádio com uma cartilha de orientação sobre como identificar, registrar e denunciar episódios de racismo durante as partidas.
Leia mais: Goleiro do Palmeiras sofre racismo em clássico contra o Corinthians
Campanha permanente
Bruno Brum, CMO da End to End, agência parceira do Corinthians na campanha, afirmou que a iniciativa propõe uma reflexão.
“Racismo não é opinião, é injustiça. Combater o racismo é uma escolha diária de enxergar a dignidade de cada pessoa e agir para que o respeito não seja exceção, mas regra. Esse posicionamento do Corinthians ultrapassa o futebol e dialoga com toda a sociedade”, defendeu o diretor de marketing.
Victor Toyofuku, diretor de Criação da Área 23, destacou o simbolismo da ação. “Retirar uma cadeira da arquibancada é um gesto simples, mas impossível de ignorar. A ação é um convite para que todas as pessoas entendam seu papel no combate ao racismo, dentro e fora do estádio.”
O Corinthians afirmou que a campanha tem caráter permanente. “Aqui, o racismo não tem lugar. E nunca terá”, diz a mensagem do clube. A ação integra um conjunto de medidas voltadas à conscientização e ao combate direto a comportamentos discriminatórios no futebol.
Leia mais: Corinthians lança ‘uniforme antirracista’ e anuncia letramento racial para atletas