PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Goleiro do Palmeiras sofre racismo em clássico contra o Corinthians

Torcedor chama Carlos Miguel de "macaco" na Neo Química Arena; clubes se solidarizam e pedem identificação dos responsáveis
O goleiro do Palmeiras, Carlos Miguel.

O goleiro do Palmeiras, Carlos Miguel.

— Cesar Greco/Palmeiras/by Canon

13 de abril de 2026

O goleiro Carlos Miguel, do Palmeiras, foi vítima de injúria racial neste domingo (12) durante o clássico contra o Corinthians, na Neo Química Arena, em São Paulo. A partida foi válida pela 11ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro.

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra um torcedor na arquibancada do estádio chamando o arqueiro de “macaco”. A ofensa ocorreu logo após o palmeirense defender um chute de Yuri Alberto, no segundo tempo da partida.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Os dois clubes emitiram notas oficiais em suas redes sociais. O Palmeiras afirmou que tomou ciência do ocorrido por meio de vídeo publicado pelo site “Nosso Palestra”. 

“Diante desta grave violência, incompatível com qualquer valor civilizatório, o Palmeiras se solidariza com o atleta e pede que as autoridades competentes adotem as providências devidas, incluindo a identificação e a responsabilização de todos os envolvidos. Não podemos tolerar o racismo!”, diz a nota.

O Corinthians também se manifestou em seus perfis nas redes sociais, informando que não medirá esforços para identificar e responsabilizar os autores do ato. O clube também informou que irá colaborar com as autoridades competentes e alegou que “não há espaço para o racismo no futebol e na sociedade”.

“O Sport Club Corinthians Paulista vem a público manifestar total solidariedade ao atleta Carlos Miguel, alvo de ofensas de cunho racista durante a partida realizada neste domingo (12), na Neo Química Arena. O clube repudia de forma veemente qualquer ato de racismo ou discriminação, reforçando seu compromisso histórico na luta por respeito, igualdade e inclusão dentro e fora de campo”, informa a publicação.

Leia mais: Como erradicar o persistente racismo no futebol?

Punições previstas pela CBF

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ainda não se pronunciou sobre o ocorrido. No entanto, a entidade instituiu punições para casos de racismo em competições brasileiras em 2023. As sanções incluem multa de até R$ 500 mil, jogos com portões fechados, perda de mando de campo e, em última instância, perda de pontos.

O artigo 134 do Regulamento Geral de Competições considera “de extrema gravidade a infração de cunho discriminatório praticada por dirigentes, representantes e profissionais dos clubes, atletas, técnicos, membros de Comissão Técnica, torcedores e equipes de arbitragem”. 

A punição poderá ser aplicada administrativamente pela CBF, com encaminhamento do caso ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para julgamento da perda de pontos.

Além das sanções esportivas, a súmula da partida pode também ser encaminhada ao Ministério Público e à Polícia Civil.


Leia mais:Observatório da Discriminação Racial cobra punições mais severas para casos de racismo no futebol

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano