No sábado (16), às 17h, a Livraria Jaqueira, no Recife Antigo, será palco de um debate sobre o livro “África Vermelha: Resgatando a Política Negra Revolucionária”, do pesquisador Kevin Ochieng Okoth. O encontro contará com o historiador e comunicador popular Jones Manoel e a liderança política Yasmim Alves, do PSOL Pernambuco, com mediação do psicanalista e filósofo Érico Andrade.
África Vermelha sustenta que as discussões atuais sobre radicalismo negro se distanciaram das preocupações centrais de militantes e intelectuais do século XX, propondo um resgate da tradição marxista anticolonial como base para a emancipação negra e para novos projetos políticos no Sul global.
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Okoth critica o que considera esvaziamento do marxismo nas abordagens predominantes do século XXI, como o afropessimismo e a decolonialidade, por ignorarem a crítica da economia política. A partir de experiências históricas africanas e da trajetória de líderes anticoloniais, o autor defende que o marxismo segue como ferramenta vital para imaginar e impulsionar transformações estruturais.
Para ele, revisitar esse legado não é nostalgia, mas um passo para inspirar lutas atuais contra o capitalismo, o racismo e o patriarcado.
“Precisamos aprender a ouvir nossa classe”
Em entrevista à Alma Preta, Yasmim Alves disse esperar que o evento reúna militantes, estudantes e pessoas interessadas em aprofundar o debate político e ideológico sobre a libertação negra.
“Minhas expectativas para o evento são as melhores. Espero que a Livraria Jaqueira encha de gente — pessoas que ainda não tiveram contato com essa literatura e também aquelas que, mesmo já conhecendo, queiram se aprofundar”, disse.
Para a liderança do PSOL, é essencial que o debate ajude a construir um direcionamento comum para diferentes lutas sociais: “Nossa luta diária por emprego digno, educação e saúde de qualidade, cultura, transporte público e soberania política precisa de um fio condutor. Podemos chamar esse fio condutor de programa político”.
A narrativa da extrema-direita que rejeita a ideologia como se fosse exclusiva da esquerda, também surgiu como uma crítica: “A extrema-direita e a direita constroem uma narrativa anti-ideológica. Dizem que ideologia é coisa da esquerda, mas seu programa político existe e é imbuído de ideologia — uma ideologia que mantém o sistema capitalista, racista e patriarcal”, compartilhou Alves.
A educadora apontou que parte da esquerda brasileira aderiu a pautas neoliberais, o que, segundo ela, aproxima seu discurso e prática das forças de direita. “Quantas vezes não ouvimos nossa classe dizer que ‘político e militância é tudo farinha do mesmo saco’? Isso não está completamente errado. Precisamos aprender a ouvir nossa classe, praticar a escuta ativa.”
O livro de Okoth, segundo a entrevistada, oferece elementos para romper essa acomodação: “Debater esse livro é importante para aprendermos com as lições históricas e construirmos um fio condutor que nos leve a vitórias, à libertação e a mudanças significativas na vida do nosso povo.”