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Debate no Recife discute o resgate da política negra revolucionária proposto no livro ‘África Vermelha’

Evento na Livraria Jaqueira reúne lideranças para discutir obra de Kevin Ochieng Okoth, que propõe retomada do marxismo anticolonial nas lutas contemporâneas
O historiador e comunicador popular Jones Manoel.

O historiador e comunicador popular Jones Manoel.

— Tomaz Silva/Agência Brasil

14 de agosto de 2025

No sábado (16), às 17h, a Livraria Jaqueira, no Recife Antigo, será palco de um debate sobre o livro “África Vermelha: Resgatando a Política Negra Revolucionária”, do pesquisador Kevin Ochieng Okoth. O encontro contará com o historiador e comunicador popular Jones Manoel e a liderança política Yasmim Alves, do PSOL Pernambuco, com mediação do psicanalista e filósofo Érico Andrade.

África Vermelha sustenta que as discussões atuais sobre radicalismo negro se distanciaram das preocupações centrais de militantes e intelectuais do século XX, propondo um resgate da tradição marxista anticolonial como base para a emancipação negra e para novos projetos políticos no Sul global.

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Okoth critica o que considera esvaziamento do marxismo nas abordagens predominantes do século XXI, como o afropessimismo e a decolonialidade, por ignorarem a crítica da economia política. A partir de experiências históricas africanas e da trajetória de líderes anticoloniais, o autor defende que o marxismo segue como ferramenta vital para imaginar e impulsionar transformações estruturais.

Para ele, revisitar esse legado não é nostalgia, mas um passo para inspirar lutas atuais contra o capitalismo, o racismo e o patriarcado.

“Precisamos aprender a ouvir nossa classe”

Em entrevista à Alma Preta, Yasmim Alves disse esperar que o evento reúna militantes, estudantes e pessoas interessadas em aprofundar o debate político e ideológico sobre a libertação negra. 

“Minhas expectativas para o evento são as melhores. Espero que a Livraria Jaqueira encha de gente — pessoas que ainda não tiveram contato com essa literatura e também aquelas que, mesmo já conhecendo, queiram se aprofundar”, disse.

Para a liderança do PSOL, é essencial que o debate ajude a construir um direcionamento comum para diferentes lutas sociais: “Nossa luta diária por emprego digno, educação e saúde de qualidade, cultura, transporte público e soberania política precisa de um fio condutor. Podemos chamar esse fio condutor de programa político”.

A narrativa da extrema-direita que rejeita a ideologia como se fosse exclusiva da esquerda, também surgiu como uma crítica: “A extrema-direita e a direita constroem uma narrativa anti-ideológica. Dizem que ideologia é coisa da esquerda, mas seu programa político existe e é imbuído de ideologia — uma ideologia que mantém o sistema capitalista, racista e patriarcal”, compartilhou Alves.

Yasmin Alves aponta o debate como necessário para a luta anticolonial e antirracista. Foto: Arquivo pessoal

A educadora apontou que parte da esquerda brasileira aderiu a pautas neoliberais, o que, segundo ela, aproxima seu discurso e prática das forças de direita. “Quantas vezes não ouvimos nossa classe dizer que ‘político e militância é tudo farinha do mesmo saco’? Isso não está completamente errado. Precisamos aprender a ouvir nossa classe, praticar a escuta ativa.”

O livro de Okoth, segundo a entrevistada, oferece elementos para romper essa acomodação: “Debater esse livro é importante para aprendermos com as lições históricas e construirmos um fio condutor que nos leve a vitórias, à libertação e a mudanças significativas na vida do nosso povo.”

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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